Política / Eleições 2026
Suplência de Simone Tebet provoca disputa entre alas do PT em São Paulo
Vicentinho representa o campo sindical, enquanto Laio Morais e Marco Aurélio Carvalho recebem apoio de setores acadêmicos e jurídicos do partido
17/07/2026
11:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A definição da suplência de Simone Tebet, pré-candidata ao Senado por São Paulo, abriu uma disputa interna no PT entre representantes do movimento sindical e integrantes ligados aos meios acadêmico e jurídico.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertaram que uma das vagas de suplente de Simone será ocupada por um nome petista. A composição integra o acordo partidário construído em torno da candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo.
No mesmo arranjo, a suplência de Marina Silva, também pré-candidata ao Senado, deverá ser destinada ao PSol ou ao PDT, legendas que participam da aliança eleitoral.
As vagas ganharam importância porque existe a possibilidade de Simone e Marina voltarem a ocupar ministérios em uma eventual nova gestão de Lula. Caso uma senadora licenciada assuma um cargo no Executivo, o primeiro suplente passa a exercer o mandato.
Cada candidatura ao Senado deve registrar dois suplentes, responsáveis pela substituição do titular durante o mandato de oito anos.
Um dos principais nomes em discussão é o do ex-deputado federal Vicentinho, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
A indicação atenderia ao movimento negro, que reivindica representação em uma das suplências da chapa, e também ajudaria a reorganizar as candidaturas ligadas ao sindicalismo do ABC Paulista.
Caso Vicentinho seja escolhido para a suplência, o atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, poderá concentrar o apoio da categoria em sua candidatura à Câmara dos Deputados.
Selerges é tratado por integrantes da esquerda paulista como o candidato ligado diretamente a Lula, que iniciou sua trajetória política no comando da mesma entidade sindical.
A avaliação dessa ala é que a composição evitaria a divisão dos votos entre lideranças metalúrgicas e preservaria a presença do grupo nas disputas proporcionais.
Outra corrente do PT trabalha pelas indicações de Laio Morais e Marco Aurélio Carvalho.
Laio foi chefe de gabinete de Haddad no Ministério da Fazenda e possui trânsito entre integrantes da equipe econômica e setores técnicos do partido.
Marco Aurélio é advogado e integrante do Grupo Prerrogativas, movimento formado por juristas com atuação próxima ao campo progressista.
Os dois nomes recebem maior apoio entre professores, advogados e integrantes do partido ligados ao meio acadêmico. Esse grupo defende que a suplência seja utilizada para ampliar a representação política da chapa além do núcleo sindical.
A escolha deverá considerar critérios como representatividade, capacidade de articulação, equilíbrio regional e participação dos diferentes grupos que integram a coligação.
A disputa se intensificou com o desempenho de Simone Tebet nas pesquisas de intenção de voto para o Senado paulista.
Levantamento do Datafolha, divulgado em 6 de julho, mostrou Marina Silva e Simone tecnicamente empatadas na liderança. Marina apareceu com 18%, enquanto Simone registrou 16%.
Na sequência ficaram Ricardo Salles, com 13%; André do Prado, com 11%; Guilherme Derrite, com 10%; e Paulinho da Força, com 8%.
Os votos em branco, nulos ou em nenhum candidato somaram 17%, enquanto 7% dos entrevistados não souberam responder.
A pesquisa ouviu 1.608 eleitores em 71 municípios paulistas, entre os dias 1º e 3 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Com Simone competitiva na disputa, a suplência passou a ser considerada um espaço estratégico dentro da aliança. A decisão final deverá equilibrar as demandas do movimento sindical, do movimento negro e dos setores acadêmico e jurídico do PT.
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