Economia / Comércio exterior
Alckmin anuncia apoio a empresas afetadas pelo tarifaço e admite reciprocidade contra os EUA
Governo calcula que a sobretaxa de 25% atingirá 18% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões.
16/07/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo federal prepara medidas de apoio às empresas brasileiras prejudicadas pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a parte dos produtos nacionais.
Durante entrevista coletiva em Brasília, Alckmin declarou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende proteger empresas, trabalhadores e setores produtivos afetados pela medida comercial norte-americana.
“O governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas”, afirmou.
O vice-presidente também confirmou que o Brasil poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, que permite a adoção de contramedidas diante de tarifas, barreiras ou restrições consideradas injustificadas contra produtos e interesses brasileiros.
Segundo Alckmin, o mecanismo será utilizado no momento considerado apropriado pelo governo.
“Nós temos uma lei, que é a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la”, disse.
Ele argumentou que a legislação não deve ser interpretada apenas como uma ferramenta de retaliação, mas como um instrumento de defesa dos interesses econômicos do país.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo já possui mecanismos para proteger empresas e empregos. Segundo ele, os setores atingidos serão chamados para novas rodadas de negociação e poderão receber apoio por meio da ampliação do Plano Brasil Soberano.
O programa oferece instrumentos de financiamento para exportadores, fornecedores e empresas de segmentos relevantes ao comércio exterior. Em 2026, o plano foi retomado por meio da Medida Provisória 1.345/2026, com novas condições e critérios de acesso ao crédito administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Durigan avaliou que determinados segmentos poderão sofrer impactos relevantes, mas declarou que a sobretaxa não deverá comprometer a economia brasileira como um todo.
“Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos”, afirmou.
Além do BNDES, o governo pretende mobilizar a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para buscar novos mercados e reduzir a dependência das vendas aos Estados Unidos.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, informou que aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos serão alcançadas pela nova tarifa.
Com base nos números de 2024, o percentual corresponde a cerca de US$ 7,4 bilhões em mercadorias comercializadas entre os dois países.
Apesar do impacto, o governo destacou que uma extensa relação de produtos ficou fora da sobretaxa, incluindo itens importantes da pauta exportadora brasileira, como carne bovina e café.
A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação iniciada em 2025, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O processo analisou práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico, às tarifas preferenciais e a outras políticas consideradas prejudiciais pelas autoridades norte-americanas.
A tarifa adicional entrará em vigor em 22 de julho.
Durante a coletiva, Alckmin contestou os argumentos apresentados pelo governo norte-americano e classificou a sobretaxa como “injusta e descabida”.
O vice-presidente afirmou que os Estados Unidos acumularam superávit na relação comercial com o Brasil nos últimos 15 anos, o que, segundo ele, enfraquece a justificativa econômica utilizada para impor a tarifa.
“É injusta porque, se pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos, nos últimos 15 anos eles tiveram conosco superávit na balança comercial”, declarou.
O governo brasileiro também rejeitou alegações norte-americanas envolvendo o Pix, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra plataformas digitais, tarifas sobre o etanol, proteção da propriedade intelectual, corrupção e políticas ambientais.
Segundo o USTR, as práticas investigadas restringiriam a competitividade de agricultores, trabalhadores, empresas de tecnologia e exportadores dos Estados Unidos. O governo brasileiro sustenta, porém, que as acusações não possuem base econômica consistente e afirmou que continuará buscando uma solução negociada.
Participaram da entrevista os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Dario Durigan, da Fazenda; Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; e João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente, além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Itamaraty pede explicações à Argentina sobre possível participação de aliados de Milei na saída de Flávio Bolsonaro
Leia Mais
Direita enfrenta desafio de construir novas lideranças sem depender da família Bolsonaro, avalia analista
Leia Mais
Deputados americanos cobram explicações sobre entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos
Leia Mais
Desemprego recua para 5,2% e Brasil registra recorde de 103,6 milhões de trabalhadores
Municípios