Política / Internacional
Lula critica Marco Rubio e acusa governo Trump de politizar tarifa contra produtos brasileiros
Presidente reagiu à proposta dos EUA de aplicar tarifa de 25% sobre bens do Brasil e disse que secretário americano atua contra a América Latina
03/06/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o governo dos Estados Unidos nesta terça-feira, 2 de junho, ao criticar o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e afirmar que o chefe da diplomacia do governo Donald Trump tem posição contrária à América Latina.
Durante discurso em Catalão (GO), Lula disse que Rubio é “anti-América Latina” e afirmou já ter comunicado a Trump sua insatisfação com a postura do secretário em relação ao Brasil. A fala ocorreu em meio à reação do governo brasileiro à proposta americana de aplicar uma nova tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil.
Segundo Lula, Rubio não demonstra simpatia pelo país e tem atuação hostil em relação a governos latino-americanos. O presidente também citou a ausência do secretário em uma reunião que teve com Donald Trump, em maio, como exemplo do distanciamento político entre o chefe da diplomacia americana e o governo brasileiro.
A crítica foi feita no mesmo dia em que Marco Rubio declarou que o Brasil não está entre os países considerados amigáveis aos interesses dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. Na fala, o secretário americano mencionou o Brasil ao lado de países como Cuba, Nicarágua e Venezuela, embora tenha destacado que o país vive um ciclo eleitoral.
A tensão ganhou novo peso após o governo americano concluir uma investigação comercial baseada na Seção 301 da legislação dos Estados Unidos. O procedimento foi conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e apontou supostas práticas comerciais consideradas injustas por Washington.
Com base nessa apuração, o governo Trump propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre determinados bens brasileiros. A medida ainda passará por etapa de consulta ao setor privado antes da elaboração do relatório definitivo. A decisão final sobre a aplicação da tarifa caberá ao presidente americano.
Lula afirmou que o governo brasileiro vinha mantendo negociações com os Estados Unidos desde o ano passado e criticou o anúncio da proposta tarifária poucos dias após uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Marco Rubio.
No discurso, o presidente acusou integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de atuarem contra os interesses do Brasil no exterior. Lula chamou os filhos de Bolsonaro de “vendilhões da pátria” e afirmou que a movimentação política em Washington pode prejudicar empresas brasileiras, o agronegócio e trabalhadores.
O presidente também disse que uma eventual tarifa não atingiria apenas o governo federal, mas setores produtivos que exportam para os Estados Unidos. Segundo ele, a medida poderia gerar impactos econômicos para empresários, produtores rurais e cadeias ligadas ao comércio exterior.
Após as declarações de Lula, Flávio Bolsonaro afirmou que pediu expressamente a Donald Trump que não aplicasse tarifa contra empresas brasileiras. O senador nega ter atuado para prejudicar o país e sustenta que a conversa com autoridades americanas teve outro objetivo.
A proposta de tarifa de 25% ocorre em um momento de maior atrito diplomático e comercial entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro trata a medida como uma ação de caráter político e afirma que continuará defendendo os interesses nacionais nas negociações bilaterais.
Pelo lado americano, o USTR sustenta que a investigação apontou práticas brasileiras prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. Entre os temas citados estão comércio digital, propriedade intelectual, políticas ambientais e outros pontos considerados sensíveis pela administração Trump.
O processo ainda não está encerrado. Após a fase de consulta pública, o governo americano deverá consolidar o relatório final. Só então será tomada a decisão sobre a aplicação da nova tarifa, que pode aprofundar a crise entre os dois países caso seja confirmada.
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