Política / Economia
Flávio Bolsonaro diz ter enviado carta a Marco Rubio contra tarifa de 25% ao Brasil
Senador afirma ter pedido aos Estados Unidos que desistam da medida e nega atuação para prejudicar produtos brasileiros
02/06/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República pelo PL, afirmou nesta terça-feira, 2 de junho, que enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano não imponha novas tarifas contra produtos brasileiros.
No documento, Flávio afirma que a aplicação de uma tarifa de 25% causaria prejuízos ao povo brasileiro e reforçou que o pedido já havia sido feito pessoalmente durante encontro com o secretário em Washington, na semana passada.
“A imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro, os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil”, diz trecho da carta.
O senador também declarou estar preocupado com o impacto da medida sobre a economia brasileira. Segundo ele, o país enfrenta uma situação de “grave deterioração fiscal e econômica”, com parte da população endividada.
A proposta de tarifa de 25% foi anunciada pelos Estados Unidos como conclusão de uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
Entre os pontos citados pelo governo dos EUA está o suposto tratamento preferencial ao Pix, sistema brasileiro de pagamento instantâneo, que, segundo a avaliação norte-americana, poderia prejudicar empresas privadas dos Estados Unidos que atuam no setor de pagamentos digitais.
Além do Pix, a investigação menciona temas como propriedade intelectual, etanol, desmatamento ilegal e práticas regulatórias brasileiras consideradas desfavoráveis ao comércio norte-americano.
Na mesma manifestação, Flávio Bolsonaro também agradeceu a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
O senador esteve em Washington na semana passada, onde se reuniu com Marco Rubio. A viagem passou a ser alvo de críticas de parlamentares governistas e de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acusam integrantes da família Bolsonaro de tentar influenciar medidas norte-americanas contra o Brasil.
O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que Flávio Bolsonaro seja investigado por supostamente atuar nos Estados Unidos para estimular a aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros.
O senador nega ter defendido a medida e afirma ter pedido justamente o contrário ao governo norte-americano.
Também nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou Flávio Bolsonaro e outros integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao comentar a proposta do USTR, órgão de comércio dos Estados Unidos, sobre as tarifas.
“Os filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São traidores”, afirmou Lula.
O presidente disse que Flávio Bolsonaro tentou negar apoio à nova taxação contra o Brasil, mas relembrou manifestações públicas feitas por integrantes da família Bolsonaro após o tarifaço anunciado em 2025.
Segundo Lula, filhos do ex-presidente teriam agradecido a Donald Trump pelas sanções e defendido a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
A troca de acusações ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos, enquanto o governo brasileiro tenta evitar que a recomendação de tarifa de 25% seja efetivada.
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