Economia / Política
Valdemar critica tarifaço e diz que Trump “perdeu o rumo” nas relações com o Brasil
Presidente do PL classificou como “loucura” a tarifa de 25% anunciada após visita de Flávio Bolsonaro e defendeu a retomada de uma relação comercial estável.
21/07/2026
12:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou nesta terça-feira (21) a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Para o dirigente partidário, o presidente norte-americano Donald Trump perdeu a direção na condução da política comercial com o Brasil.
“O Trump vai, volta, tira, põe. Ele perdeu um pouco o rumo disso aí e espero que estabeleça uma linha melhor”, declarou Valdemar em entrevista à CNN Brasil.
O dirigente destacou que Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação comercial histórica e defendeu a preservação do mercado norte-americano para os produtos nacionais, além da atração de investimentos capazes de gerar empregos no país.
“O Brasil sempre foi um grande parceiro dos Estados Unidos, e eles, nosso. Nós precisamos vender para eles e lutar para que venham produzir no Brasil para gerar empregos”, afirmou.
A tarifa foi anunciada um dia depois de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitar os Estados Unidos. Valdemar minimizou qualquer relação direta entre a viagem do senador e a medida adotada pelo governo Trump.
“Ele recebeu o Flávio, fez muito bem de receber, e, para nossa surpresa, anuncia no dia seguinte que vai taxar o Brasil. Isso é uma loucura”, declarou.
A decisão norte-americana foi tomada após uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusou o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais a empresas e exportadores norte-americanos. O governo brasileiro rejeita as alegações e afirma que participou das tratativas comerciais.
A nova cobrança passa a valer nesta quarta-feira (22) e atingirá parte das mercadorias brasileiras exportadas ao mercado norte-americano. Entre as exceções anunciadas estão produtos como café, carne bovina e determinados componentes considerados estratégicos.
A tarifa poderá afetar aproximadamente US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a cerca de 18% das vendas nacionais destinadas aos Estados Unidos, segundo estimativas divulgadas após o anúncio.
O governo brasileiro avalia possíveis medidas de reciprocidade, mas afirma que pretende manter as negociações e evitar decisões que provoquem impactos adicionais sobre empresas, consumidores e as contas públicas.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, atribuiu a medida à condução das negociações pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o Brasil não teria negociado de boa-fé com os Estados Unidos.
A acusação também foi apresentada por representantes comerciais norte-americanos, que apontaram restrições ao mercado, regulamentações digitais e outras políticas brasileiras como justificativas para a cobrança.
O governo Lula contesta essa versão, considera a tarifa injustificada e avalia recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica e à Organização Mundial do Comércio (OMC). Autoridades brasileiras também afirmam que os Estados Unidos mantêm vantagem histórica na relação comercial entre os dois países.
A crítica de Valdemar chama atenção porque parte de uma das principais lideranças do partido mais próximo de Trump no Brasil. A declaração sinaliza preocupação dentro do próprio PL com os efeitos econômicos e eleitorais do conflito comercial.
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