Política / Justiça
Bolsonaro afirma não ter autorizado divulgação de carta publicada por Flávio
Defesa sustenta que o ex-presidente desconhecia a publicação nas redes sociais e nega tentativa de contornar as restrições impostas pelo STF.
15/07/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (15) que ele não sabia que a carta entregue ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seria divulgada nas redes sociais. A manifestação foi apresentada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No documento, os advogados alegam que Bolsonaro vem cumprindo as determinações judiciais e que nunca procurou terceiros para burlar a proibição de utilizar redes sociais direta ou indiretamente.
“A defesa esclarece, objetivamente, que o peticionário jamais soube que a carta seria publicizada, tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”, afirmaram os representantes do ex-presidente.
A manifestação foi apresentada após Moraes conceder prazo de 48 horas para que a defesa explicasse as circunstâncias da divulgação do manuscrito. A carta reafirmava o apoio de Bolsonaro à pré-candidatura do filho à Presidência da República nas eleições de outubro.
Segundo os advogados, a divulgação do documento ocorreu sem o conhecimento prévio do ex-presidente. A defesa também afirmou que a referência feita por Flávio durante a leitura da carta foi uma manifestação pessoal do senador.
“A circunstância de a carta ter sido posteriormente divulgada em redes sociais decorreu de decisão adotada sem que houvesse prévia ciência do peticionário”, argumentaram os advogados.
Com isso, a defesa procura afastar a suspeita de que Bolsonaro tenha usado o filho para transmitir uma mensagem política nas redes sociais, o que poderia representar descumprimento das condições determinadas pelo STF.
Após a publicação da carta, Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai. A decisão também determinou a apuração das circunstâncias da divulgação e de uma possível utilização eleitoral do documento.
Flávio publicou o manuscrito no sábado, 11 de julho, durante uma manifestação nas redes sociais. No texto, Bolsonaro declarou apoio à candidatura do filho e defendeu a união de seus aliados políticos.
Ao determinar as medidas, Moraes lembrou que a prisão domiciliar concedida ao ex-presidente estabelece a proibição do uso de redes sociais, tanto diretamente quanto por intermédio de outras pessoas.
A restrição das visitas ultrapassa o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, e poderá interferir no contato entre o senador e o ex-presidente durante parte da campanha eleitoral.
Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na tentativa de impedir a posse do governo eleito em 2022.
Em março de 2026, ele passou a cumprir temporariamente a pena em prisão domiciliar por questões de saúde, permanecendo submetido a tornozeleira eletrônica, restrições de visitas e proibição de acesso às redes sociais.
A defesa sustenta que a simples autoria da carta não significa que Bolsonaro tenha autorizado ou previsto sua publicação. Caberá agora a Moraes analisar os esclarecimentos e decidir se houve descumprimento das condições da prisão domiciliar.
“Brasília, 11 de julho de 2026.
Carta aos brasileiros
Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio que o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade.
Um afetuoso abraço a todos, na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade.
Jair Bolsonaro”
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