Política / Investigação
Suplente de Alcolumbre é indiciado pela PF em apuração sobre fraudes de R$ 60 milhões no Dnit
Breno Chaves é investigado por suspeitas de direcionamento de licitações no Amapá; presidente do Senado nega qualquer relação com o caso
22/05/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Um suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi indiciado pela Polícia Federal em uma investigação que apura suspeitas de fraudes em licitações do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) no Amapá. O caso envolve contratos estimados em pelo menos R$ 60 milhões.
O indiciado é Breno Chaves Pinto, segundo suplente de Alcolumbre e ex-dono da LB Construções, empreiteira apontada na apuração. O presidente do Senado não é investigado e, até o momento, não há registro de participação dele nas suspeitas.
A investigação trata de possível direcionamento de concorrências públicas relacionadas ao Dnit. Em julho do ano passado, endereços ligados a Breno foram alvo de busca e apreensão durante a Operação Route 156, deflagrada pela Polícia Federal.
Segundo a apuração, Breno Chaves Pinto foi indiciado sob suspeita dos crimes de associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa. Procurado, ele informou que se manifestará após analisar o relatório final da investigação. Anteriormente, o empresário negou ter cometido irregularidades.
A assessoria de Davi Alcolumbre afirmou, em nota, que o senador “não possui qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente, tampouco interfere na contratação de empresas ou em decisões administrativas do Dnit, que competem exclusivamente aos órgãos responsáveis”.
Ainda de acordo com a nota, Alcolumbre “responde apenas pelos próprios atos, não tendo responsabilidade por alegações, conversas privadas, condutas atribuídas a terceiros ou supostas referências a seu nome, destituídas de prova de conduta indevida”.
O comunicado também diz que, caso seja identificado algum desvio na apuração conduzida pelas autoridades competentes, o presidente do Senado defende que os envolvidos sejam rigorosamente responsabilizados na forma da lei.
A informação sobre o indiciamento foi publicada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha de S.Paulo.
Na época da operação, a Polícia Federal apreendeu pistolas, um fuzil e 250 munições na residência do suplente do senador. Breno Chaves Pinto tinha registro de CAC, categoria que reúne caçadores, atiradores e colecionadores.
À época, a PF afirmou que Breno “se utilizava de sua proximidade com o senador para, a pretexto de influir em atos de agente público, obter vantagens indevidas”.
Relatórios de inteligência financeira também apontaram que uma empresa ligada a Breno realizou saques em espécie no valor de R$ 2,3 milhões. Para os investigadores, a movimentação representa “forte indício de ocultação da destinação final dos recursos e de lavagem de ativos”.
Conforme mostrado pela Folha em 2024, a empresa de Breno Chaves Pinto assinou contratos, no fim de 2023 e início de 2024, para obras que somam R$ 354,5 milhões em recursos federais durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A LB Construções foi selecionada para uma obra de R$ 268 milhões do Dnit, em consórcio com outra empresa. A construtora também venceu três editais da Codevasf, estatal federal controlada por um aliado de Davi Alcolumbre, que somam R$ 86,5 milhões.
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