Justiça / Investigação
Mendonça vota para manter prisão de primo de Daniel Vorcaro e Gilmar suspende julgamento
Felipe Cançado Vorcaro é investigado pela PF por suposta atuação no núcleo financeiro-operacional do esquema ligado ao Banco Master
22/05/2026
15:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (22) para manter a prisão preventiva do empresário Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro. Após o voto do relator, o ministro Gilmar Mendes pediu vista, ou seja, mais tempo para análise, e suspendeu o julgamento na Segunda Turma da Corte.
Felipe Cançado Vorcaro é investigado pela Polícia Federal (PF) na apuração sobre o esquema envolvendo o Banco Master. Segundo os investigadores, ele teria atuado como um dos principais articuladores das operações financeiras atribuídas ao grupo.
A prisão temporária do empresário havia sido convertida em preventiva na segunda-feira (18) pelo próprio André Mendonça, relator do caso no Supremo. Ele foi detido durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
A decisão individual de Mendonça precisa ser confirmada pelo colegiado da Segunda Turma. Por isso, o caso foi levado ao plenário virtual. No voto, o ministro defendeu a manutenção da prisão preventiva, medida que não possui prazo final pré-definido e pode se estender durante o andamento do processo judicial.
De acordo com as investigações, mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro indicariam tratativas relacionadas a pagamentos de propina ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). A PF aponta que o parlamentar teria recebido uma mesada de ao menos R$ 300 mil de Vorcaro.
Ao decretar a prisão temporária de Felipe, André Mendonça também citou suspeitas envolvendo a venda de ações avaliadas em cerca de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão para uma empresa administrada pelo irmão do senador.
Na decisão que autorizou a quinta fase da operação, o primo de Daniel Vorcaro foi descrito como integrante de posição relevante dentro do grupo investigado. Segundo o documento, ele “não ocupa posição periférica, mas integra o núcleo financeiro-operacional do grupo, com domínio relevante sobre fluxos patrimoniais, estruturas societárias e mecanismos de ocultação de recursos”.
Com o pedido de vista de Gilmar Mendes, o julgamento fica suspenso até que o ministro devolva o caso para continuidade da análise pela Segunda Turma do STF.
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