Política / Eleições 2026
Lula intensifica articulação com centrão e avalia vice do MDB para ampliar frente e isolar Flávio Bolsonaro
Presidente trabalha para expandir alianças em 2026, busca neutralizar apoio ao senador do PL e considera mudança na chapa para atrair o MDB
08/02/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início a uma ofensiva política em duas frentes com foco na eleição presidencial de 2026: ampliar o arco de alianças e reduzir o espaço do provável adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), junto aos partidos do centrão. A estratégia inclui, nos bastidores, a possibilidade de oferecer a vaga de vice ao MDB, movimento que poderia alterar a composição atual da chapa com Geraldo Alckmin (PSB).
A orientação do presidente, já incorporada à direção nacional do PT, é clara: expandir ao máximo a coligação. Interlocutores do partido avaliam que cerca de 90% do eleitorado já estaria posicionado, restando aproximadamente 10% de votos em disputa. Nesse cenário, qualquer apoio adicional é considerado decisivo.
Durante evento de aniversário do PT, no sábado (7), Lula reforçou a necessidade de composições políticas. “Temos que fazer alianças para ganhar as eleições”, afirmou, ao mencionar o presidente nacional da sigla, Edinho Silva.
A eventual substituição de Geraldo Alckmin por um nome do MDB é vista como um gesto de maior peso para atrair formalmente o partido à coligação. A adesão garantiria mais tempo de propaganda eleitoral e fortaleceria o discurso de “frente ampla”, utilizado na eleição de 2022.
O tema, no entanto, é sensível. Alckmin mantém relação próxima com Lula e já sinalizou à cúpula petista que, caso não integre a chapa, apoiará a reeleição sem disputar outro cargo. A retirada do vice poderia gerar desgaste político e até tensionar a relação com o PSB, partido que pressiona pela manutenção da atual composição.
Entre os nomes do MDB cotados para eventual vice estão o ministro dos Transportes, Renan Filho, o governador do Pará, Helder Barbalho, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet. Esta última também é mencionada como possível candidata ao Senado por São Paulo, embora enfrente resistências internas no diretório estadual.
A articulação enfrenta obstáculos dentro do próprio MDB. Diretórios importantes, como os de São Paulo e Rio Grande do Sul, mantêm distância do governo. Parte da cúpula da legenda tem dialogado com o PSD, que reúne três pré-candidatos ao Planalto: Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Jr.
As convenções partidárias que definirão as alianças ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto, período decisivo para a consolidação das chapas.
Paralelamente à tentativa de atrair o MDB, Lula busca ao menos a neutralidade dos principais partidos do centrão, especialmente PP e União Brasil, para evitar adesão formal à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Um dos movimentos mais relevantes foi a reunião do presidente com Ciro Nogueira, líder do PP. Na conversa, foi discutida a possibilidade de neutralidade nacional da legenda, em troca de apoio político regional.
O PP e o União Brasil anunciaram a formação da federação União Progressista, que, se confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se tornará a maior bancada da Câmara. A prioridade desse grupo, segundo aliados, passou a ser ampliar representação no Congresso, o que abre espaço para composições regionais com o governo federal.
O estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, ocupa papel central na estratégia. Lula indicou recentemente que Alckmin “tem um papel a cumprir” no estado, declaração interpretada como possível sinal de que o vice poderia disputar cargo local.
A movimentação ocorre em meio à consolidação do senador Flávio Bolsonaro como principal nome da direita para a disputa presidencial, especialmente após o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) optar pela reeleição no estado.
Embora a reedição da chapa Lula-Alckmin ainda seja considerada provável por aliados, o presidente mantém aberta a possibilidade de ajustes estratégicos. Internamente, o cálculo político leva em conta a necessidade de ampliar palanques estaduais, fortalecer alianças regionais e evitar que partidos de centro-direita fechem questão em torno do senador do PL.
O desfecho dependerá da capacidade de Lula de equilibrar lealdades, oferecer contrapartidas e manter coesão na base governista — ao mesmo tempo em que busca ampliar sua frente eleitoral para 2026.
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