Política / Justiça
PF vê relação pessoal entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro em aportes bilionários do RioPrevidência
Investigação aponta que aplicações no Banco Master teriam sido influenciadas por alinhamento político, e não apenas por critérios técnicos
26/05/2026
10:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal apontou indícios de que os investimentos feitos pelo RioPrevidência no Banco Master teriam sido influenciados por uma relação de proximidade entre o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL, e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira.
Segundo a investigação, os aportes realizados pelo fundo previdenciário dos servidores estaduais não teriam partido exclusivamente de análises técnicas regulares, mas de um possível “alinhamento político” e de uma “relação pessoal” entre Castro e Vorcaro. O caso é apurado no âmbito da 8ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira, 26 de maio de 2026.
Cláudio Castro foi alvo de novo mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A operação investiga aplicações feitas pelo RioPrevidência em produtos financeiros do Banco Master, que posteriormente entrou em colapso e foi liquidado pelo Banco Central.
De acordo com a Polícia Federal, o fundo previdenciário realizou aportes que somam mais de R$ 3,6 bilhões no banco. O valor inclui aplicações em letras financeiras emitidas pela instituição e em fundos ligados ao grupo comandado por Daniel Vorcaro.
Apenas entre outubro de 2023 e outubro de 2025, período em que os investigadores apontam uma aparente crise de liquidez do Banco Master, o RioPrevidência teria feito mais de R$ 2,9 bilhões em aportes na instituição financeira.
Em trecho da decisão que autorizou as buscas, a investigação afirma que a motivação central das decisões não estaria em critérios técnicos regulares de investimento, mas em uma relação pessoal considerada indevida entre o controlador do banco e autoridades com poder de decisão sobre o regime próprio de previdência estadual.
A PF também aponta que conversas analisadas indicariam que determinados aportes dependeriam de “alinhamento político” com o então governador do Rio de Janeiro. Para os investigadores, esse possível vínculo teria ajudado a viabilizar a liberação dos investimentos.
Outro ponto sob apuração é a influência desse relacionamento na escolha de dirigentes do RioPrevidência. A Polícia Federal sustenta que a proximidade entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro teria favorecido indicações para cargos estratégicos no fundo previdenciário.
Entre os postos citados estão a presidência, a diretoria de investimentos e a gerência de investimentos. Na avaliação dos investigadores, essas nomeações poderiam ter contribuído para que decisões de credenciamento e aplicação de recursos fossem tomadas em desacordo com a política de investimentos e com normas regulatórias.
A relação entre Castro e Vorcaro foi analisada a partir de dados extraídos do celular do banqueiro, preso desde 4 de março. Segundo a Polícia Federal, os elementos encontrados apontariam para um “vínculo pessoal estreito” entre os dois.
A corporação cita encontros frequentes em ambientes privados e também no exterior. Ainda conforme a investigação, parte desses encontros teria sido custeada por Daniel Vorcaro e ocorrido em datas próximas aos aportes bilionários realizados pelo RioPrevidência no Banco Master.
Para a PF, essa coincidência temporal reforça a necessidade de aprofundar a apuração sobre a origem das decisões de investimento e sobre a eventual interferência política na destinação dos recursos previdenciários.
Os investigadores também afirmam que os aportes continuaram mesmo após alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis à aplicação de recursos do RioPrevidência em fundos ligados ao Banco Master.
O caso preocupa porque envolve recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro. O RioPrevidência é responsável pela gestão de benefícios previdenciários do funcionalismo estadual, o que torna a investigação sensível do ponto de vista fiscal e social.
A atual fase da Operação Compliance Zero busca esclarecer se houve favorecimento indevido, gestão temerária, violação de regras de investimento ou direcionamento político na aplicação de recursos públicos em produtos financeiros do banco.
O avanço da investigação amplia a pressão sobre Cláudio Castro, que já havia sido alvo de outra medida da Polícia Federal relacionada ao caso. A defesa do ex-governador tem afirmado que ele acompanha as apurações com tranquilidade e que só poderá se manifestar de forma mais detalhada após acesso integral aos autos.
A apuração segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com acompanhamento do Supremo Tribunal Federal, e deve analisar documentos, mensagens, registros financeiros e a atuação de gestores públicos e privados envolvidos nas decisões de investimento.
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