Política / Justiça
PF faz buscas contra Cláudio Castro em investigação sobre recursos do Rioprevidência no Banco Master
Operação apura aportes de cerca de R$ 3 bilhões ligados ao fundo previdenciário dos servidores do Rio de Janeiro
26/05/2026
06:45
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, mandados de busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em uma nova etapa da investigação sobre aplicações de recursos públicos do Rioprevidência no Banco Master. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Ao todo, foram expedidos 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Um deles foi cumprido na residência de Cláudio Castro, em uma cobertura localizada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
A apuração mira aportes feitos pelo fundo previdenciário dos servidores estaduais em produtos financeiros ligados ao Banco Master, instituição que entrou em colapso e foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. Segundo as investigações, os valores movimentados podem chegar a aproximadamente R$ 3 bilhões.
A fase desta terça-feira é ligada à investigação conhecida como Operação Barco de Papel, que inicialmente identificou aplicações de cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master entre 2023 e 2024. Em nova frente, a PF passou a apurar outros investimentos, estimados em R$ 2,01 bilhões, em fundos administrados pela mesma instituição.
As letras financeiras funcionam como títulos de dívida emitidos por bancos para captar recursos no mercado. Na prática, o Rioprevidência teria aplicado dinheiro público no Banco Master em troca de rentabilidade futura. A PF investiga quem autorizou os aportes, quais critérios técnicos foram usados e se houve exposição indevida de recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões.
Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores é o fato de parte dos papéis adquiridos não contar com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, mecanismo de proteção a investidores em caso de quebra bancária. Também são analisados possíveis alertas de risco que teriam sido ignorados durante o processo de decisão.
O Rioprevidência é responsável pela gestão dos benefícios de cerca de 235 mil aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro. Por isso, a investigação tem impacto direto sobre a segurança dos recursos previdenciários do funcionalismo estadual.
A defesa de Cláudio Castro, feita pelo advogado Carlo Luchione, informou que ainda não teve acesso integral às decisões, mas afirmou que o ex-governador acompanhava as buscas “com serenidade”.
Esta é a segunda vez em menos de 15 dias que Cláudio Castro é alvo de uma operação da Polícia Federal. Em 15 de maio, agentes também cumpriram mandado de busca em sua residência no âmbito da Operação Sem Refino, que apura supostas fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
A investigação sobre os aportes no Banco Master também alcançou Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, que já havia sido preso no início de fevereiro em uma ação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal no Sul Fluminense. Nesta terça-feira, agentes voltaram a cumprir diligências em endereço ligado a ele.
Na esfera política, o caso também provocou reação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O deputado estadual Flávio Serafini, do PSOL, anunciou que obteve assinaturas para abrir uma CPI destinada a investigar os investimentos do governo estadual no Banco Master. A comissão, porém, ainda não havia sido instalada.
Segundo dados apresentados na Alerj, o Rioprevidência teria aplicado quase R$ 1 bilhão diretamente no Banco Master e cerca de R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela instituição. Parlamentares também apontam que parte desses investimentos teria ocorrido mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, que chegou a proibir novos aportes do fundo no banco.
A nova etapa da investigação busca esclarecer se houve gestão temerária, favorecimento indevido ou outras irregularidades na destinação de recursos públicos ao conglomerado financeiro.

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