Campo Grande (MS), Terça-feira, 26 de Maio de 2026

Política / Justiça

Mário Frias nega ao STF uso de emendas para financiar filme sobre Bolsonaro

Deputado afirma que recursos foram destinados a projetos sociais e diz que suspeita de desvio para produtora audiovisual é falsa e sem provas

25/05/2026

15:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) negou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter destinado emendas parlamentares para financiar a produtora responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação foi apresentada nesta segunda-feira, 25 de maio, ao ministro Flávio Dino, relator do caso na Corte.

Frias é alvo de uma apuração preliminar no STF que investiga possível desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil. A organização não governamental é ligada à produtora audiovisual Go Up Entertainment, responsável pelas gravações do filme Dark Horse, ainda não lançado, que retrata a trajetória política de Bolsonaro.

Apontado como produtor executivo da obra, o parlamentar sustenta que não há qualquer prova de que os recursos públicos tenham sido usados para financiar a produção cinematográfica.

“Não há, nos autos, uma única prova sequer de que esses recursos tenham sido desviados para qualquer produção cinematográfica. A alegação é puramente especulativa e baseada em uma suposta associação ilícita entre pessoas jurídicas que, segundo a denunciante, compartilham endereço, argumento frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade”, afirmou Mário Frias.

Defesa diz que emendas financiaram inclusão digital e esportes

Na manifestação enviada ao ministro Flávio Dino, Frias afirmou que a suspeita de desvio é “falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória”. Segundo o deputado, as emendas parlamentares foram direcionadas a projetos de inclusão digital, empreendedorismo e esportes.

O parlamentar também citou um parecer da Câmara dos Deputados para sustentar que não houve irregularidade na destinação dos recursos.

“O advogado-chefe da Câmara dos Deputados, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva, em manifestação oficial de 6 de abril de 2026, corroborou integralmente o entendimento da CONOF [Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara], afirmando que os procedimentos observaram integralmente a legislação de regência, não havendo qualquer vício formal ou material”, declarou.

A defesa tenta afastar a tese de que houve desvio de finalidade na aplicação de recursos públicos. O caso está em fase preliminar e ainda depende da análise do ministro relator.

Caso chegou ao STF após representação de Tabata Amaral

A apuração teve origem em uma representação apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). A parlamentar questionou a destinação de emendas ao Instituto Conhecer Brasil, apontando possível ligação da entidade com a produtora responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro.

A suspeita envolve o uso de recursos públicos em projeto que, segundo a representação, poderia beneficiar indiretamente a produção da cinebiografia. Frias, no entanto, nega qualquer relação entre as emendas e o financiamento do longa-metragem.

Antes da apresentação da defesa, um oficial de Justiça tentou intimar o deputado por cinco vezes, mas ele não foi localizado. Mário Frias está em viagem ao exterior, embora não tenha recebido autorização da Câmara dos Deputados para deixar o país.

Filme ganhou repercussão após revelação sobre pedido de recursos

O filme Dark Horse passou a ser alvo de maior atenção pública depois que o site The Intercept revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações.

A conversa, segundo a publicação, ocorreu em novembro do ano passado. Após a divulgação do caso, Flávio Bolsonaro negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e afirmou que os recursos discutidos eram privados.

A investigação no STF busca apurar se houve irregularidade na destinação das emendas parlamentares e se os valores enviados ao Instituto Conhecer Brasil tiveram finalidade diferente da oficialmente declarada.

Até o momento, Mário Frias sustenta que a acusação não tem base documental e que as emendas seguiram os procedimentos legais previstos para a execução de recursos públicos.


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