Economia / Política
Lula reage a críticas dos EUA e diz que governo não vai recuar no Pix
Presidente defende sistema de pagamentos instantâneos, rebate relatório comercial americano e afirma que ferramenta continuará sendo aprimorada para atender a população brasileira
02/04/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do Pix nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, e afirmou que o governo brasileiro não aceitará pressão externa para modificar o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. A reação ocorreu após a divulgação de relatório do governo dos Estados Unidos, que apontou o Pix como fator de possível desvantagem para empresas americanas que atuam no setor de meios de pagamento.
Durante agenda em Salvador (BA), em cerimônia de entregas do Novo PAC na área de mobilidade urbana, Lula declarou que “o Pix é do Brasil” e acrescentou que “ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”. Segundo o presidente, a prioridade do governo é aperfeiçoar a ferramenta para ampliar ainda mais sua utilidade no cotidiano da população.
A fala foi uma resposta direta ao relatório anual National Trade Estimate Report on Foreign Trade Barriers 2026, elaborado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). No documento, o órgão afirma que empresas americanas do setor financeiro demonstraram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil criar, operar e regular o Pix, o que, na visão do governo americano, pode favorecer a plataforma pública em detrimento de fornecedores estrangeiros de serviços de pagamento eletrônico.
O texto do USTR sustenta ainda que instituições financeiras com mais de 500 mil contas são obrigadas a ofertar o Pix, e registra que isso alimenta questionamentos sobre eventual tratamento preferencial ao sistema brasileiro. A crítica se insere em uma agenda mais ampla de observações dos EUA sobre comércio digital, serviços financeiros eletrônicos e ambiente regulatório no Brasil.
Além do Pix, o relatório americano também menciona outros pontos de atrito na relação comercial com o Brasil, como tarifas consideradas elevadas, mudanças tarifárias dentro das flexibilidades do Mercosul, regras para produtos importados e medidas regulatórias que, na avaliação dos EUA, podem dificultar o acesso de empresas estrangeiras ao mercado brasileiro.
O tema não é novo. Em 2025, o USTR já havia aberto investigação sob a Seção 301 da legislação comercial americana para apurar práticas brasileiras relacionadas a comércio digital e serviços eletrônicos de pagamento, entre outros temas. A abertura desse procedimento elevou o nível de tensão entre os dois países e passou a funcionar como base para eventuais medidas comerciais mais duras por parte de Washington.
Ao rebater o documento, Lula reforçou o discurso de soberania sobre instrumentos considerados estratégicos para a economia nacional. A avaliação do Palácio do Planalto é de que o Pix se consolidou como uma política pública bem-sucedida de inclusão financeira, redução de custos e ampliação do acesso da população a meios de pagamento rápidos e gratuitos.
A declaração do presidente também ganhou repercussão política nas redes sociais. Após o evento, canais oficiais ligados a Lula divulgaram material com a frase “O Pix é do Brasil”, transformando a defesa do sistema em uma mensagem de afirmação nacional diante das críticas feitas pelo governo americano.
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