Política / Eleições 2026
Caso de Nossa Senhora Aparecida entra na estratégia de Lula na reta final contra Flávio
Petistas veem repercussão da informação falsa sobre a Padroeira como oportunidade para disputar voto católico; episódio também provocou reação da CNBB
28/09/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganhou espaço na estratégia eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do primeiro turno e ampliou o confronto com Flávio Bolsonaro (PL). Integrantes da campanha passaram a discutir os possíveis reflexos do episódio principalmente entre o eleitorado católico.
Segundo relato da jornalista Clarissa Oliveira, da CNN Brasil, o assunto foi comentado durante um jantar com empresários realizado na sexta-feira (25), em São Paulo, em apoio à candidatura de Lula. Petistas presentes demonstravam preocupação com o desempenho eleitoral de Flávio e fizeram brincadeiras sobre a repercussão do caso.
Em uma das conversas, um integrante do grupo afirmou: “Tanto esforço para recuperar esta eleição e quem vai fazer esse milagre é a Santa”. A frase, segundo o relato, provocou risadas entre os presentes e sintetizou a importância que integrantes da campanha passaram a atribuir ao episódio.
A controvérsia começou com publicações que associaram Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A informação foi desmentida. Ainda assim, o episódio passou a ser explorado no debate eleitoral, especialmente na disputa pelo eleitorado católico.
A avaliação de que o caso pode beneficiar Lula eleitoralmente é atribuída a integrantes de sua campanha e não demonstra, por si só, que a controvérsia tenha provocado mudança de votos.
O confronto ganhou dimensão judicial depois que a campanha de Flávio acionou a Justiça Eleitoral contra uma publicação do humorista Antonio Tabet.
Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, atuando no Tribunal Superior Eleitoral, determinou a retirada da postagem e de conteúdos semelhantes. No domingo, Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, derrubou a ordem em relação à publicação de Tabet. Dino considerou, entre outros pontos, que o texto não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro ou seus familiares.
Durante ato de campanha em Goiânia, no domingo, Flávio classificou a controvérsia como a “maior fake news da campanha” e acusou adversários de organizarem uma rede de desinformação. Também afirmou que pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam ajudado na disseminação do conteúdo.
O candidato ainda criticou a decisão de Dino e declarou que o ministro teria liberado a “liga da mentira do PT”. As acusações contra o partido e integrantes da CNBB foram feitas por Flávio e não foram acompanhadas, nas declarações citadas, de provas públicas que demonstrassem a participação institucional da entidade religiosa.
A CNBB reagiu e negou participação na produção ou divulgação de informações falsas relacionadas às eleições.
Em nota, a entidade afirmou que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”. Também contestou acusações que a associem a estruturas de desinformação sem apresentação de fatos ou provas.
A conferência acrescentou: “A mentira não se combate com outra mentira”.
O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, também se manifestou e declarou solidariedade à CNBB diante das acusações. Messias é evangélico e participa da interlocução do governo federal com segmentos religiosos.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida acrescentou a pauta religiosa ao confronto entre as campanhas. Enquanto integrantes do grupo de Lula avaliam possíveis reflexos entre católicos, Flávio procura desvincular sua candidatura da informação falsa e responsabilizar adversários pela disseminação do conteúdo.
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