Justiça / STF
Gilmar quer suspender análise do caso Master até STF identificar magistrados citados
Ministro propõe mapear juízes mencionados nas investigações antes de definir quem poderá participar dos julgamentos relacionados ao Banco Master
28/09/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defende que o julgamento de processos relacionados ao caso Banco Master só avance depois que a Corte identifique os magistrados mencionados nas investigações e verifique eventuais situações de impedimento ou suspeição. A proposta integra questão de ordem apresentada no âmbito da Petição 16.662/DF.
A medida alcança magistrados do próprio STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e de outros tribunais eventualmente citados nas apurações. Gilmar propõe que sejam identificados especificamente aqueles sobre os quais existam indícios de recebimento indevido de valores.
O objetivo, segundo o ministro, é esclarecer previamente quais integrantes da Corte estariam aptos a participar das decisões. Gilmar sustenta que dúvidas sobre impedimento ou imparcialidade precisam ser resolvidas antes da análise do mérito dos processos.
A discussão envolve as Petições 16.662 e 16.704. A primeira está relacionada a informações da investigação do Banco Master envolvendo supostas mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A segunda envolve questionamentos sobre a atuação do ministro André Mendonça na condução das investigações.
A questão de ordem apresentada por Gilmar estabelece quatro providências antes do prosseguimento do julgamento: reunir as duas petições por continência; realizar nova distribuição dos processos conforme as regras regimentais; certificar os magistrados mencionados nas apurações sobre os quais existam indícios de recebimento indevido de valores; e abrir prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e dos juízes identificados.
A proposta já havia sido discutida pelo plenário em 15 de setembro. Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes acompanharam Gilmar Mendes. Edson Fachin e André Mendonça votaram contra a questão de ordem, enquanto Luiz Fux e Cármen Lúcia anteciparam votos acompanhando Fachin.
O julgamento foi interrompido por pedido de vista de Flávio Dino, portanto não existe decisão definitiva sobre a questão. Kassio Nunes Marques foi declarado impedido, enquanto Dias Toffoli afirmou suspeição.
Ao justificar sua posição, Gilmar argumenta que a investigação precisa alcançar de maneira uniforme todos os magistrados eventualmente envolvidos. Para o ministro, selecionar determinados fatos ou nomes e deixar outros sem esclarecimento poderia comprometer a consistência da apuração.
O decano também levantou questionamentos sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master por André Mendonça. A posição de Gilmar representa sua avaliação jurídica dentro da controvérsia e não uma conclusão do STF sobre eventual irregularidade praticada pelo ministro.
Da mesma forma, as referências a magistrados nas investigações não significam, por si só, comprovação de participação em ilícitos. A própria proposta de Gilmar prevê identificação dos nomes, análise dos elementos existentes e oportunidade de manifestação antes de qualquer conclusão.
Com o pedido de vista de Flávio Dino, permanece suspensa a definição sobre a reunião e redistribuição das duas petições. Somente depois da retomada do julgamento o plenário poderá decidir se adota as providências propostas por Gilmar Mendes e como prosseguirão os processos relacionados ao caso Master.
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