Economia / Contas
Lula admite preocupação com dívida pública, mas cita reservas de US$ 370 bilhões
Presidente afirma que pretende reduzir o endividamento em relação ao PIB sem abandonar programas sociais; dívida bruta chegou a R$ 10,9 trilhões
28/09/2026
10:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu que o avanço da dívida pública brasileira exige atenção, mas afirmou que o atual nível de endividamento não lhe provoca “pânico”. Em entrevista ao Canal Livre, da Band, exibida no domingo (27), Lula apontou as reservas internacionais, próximas de US$ 370 bilhões, como uma proteção da economia brasileira.
Candidato à reeleição, Lula afirmou que pretende reduzir a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) caso permaneça no governo. Ao mesmo tempo, defendeu a manutenção de despesas que considera necessárias, incluindo políticas voltadas à população de menor renda e a valorização do salário mínimo acima da inflação.
A preocupação ocorre em meio ao crescimento do endividamento. Dados mais recentes do Banco Central (BC) mostram que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 82,5% do PIB em julho de 2026, equivalente a R$ 10,9 trilhões. O indicador aumentou 0,6 ponto percentual em relação a junho e acumula avanço de 3,9 pontos percentuais do PIB no ano.
Segundo o BC, a elevação registrada em julho foi influenciada principalmente pela incorporação dos juros nominais, responsável por 0,8 ponto percentual, e pelas emissões líquidas de dívida, com impacto de 0,2 ponto. O crescimento nominal do PIB atuou no sentido contrário, reduzindo a relação em 0,5 ponto percentual.
Na entrevista, Lula destacou o estoque de reservas internacionais como um dos fatores que diferenciam a situação atual de períodos em que o Brasil tinha maior vulnerabilidade externa. O presidente atribuiu a formação desse colchão à política iniciada durante seu primeiro período no Planalto.
“Nós temos uma reserva de US$ 370 bilhões”, afirmou. Dados oficiais do Banco Central mostram que as reservas estavam em US$ 371,1 bilhões em maio de 2026.
As reservas internacionais, porém, não equivalem a recursos destinados diretamente ao pagamento da dívida pública interna. Elas são ativos externos administrados pelo Banco Central e funcionam, entre outras finalidades, como proteção diante de crises cambiais e dificuldades de financiamento externo.
Os números fiscais também mostram o peso dos juros. Nos 12 meses encerrados em julho, os juros nominais do setor público consolidado alcançaram R$ 1,1505 trilhão, ou 8,67% do PIB. No mesmo período terminado em julho de 2025, correspondiam a 7,60% do PIB.
Quando são considerados o resultado primário e os juros, o setor público acumulou déficit nominal de R$ 1,2398 trilhão em 12 meses, equivalente a 9,34% do PIB. Já o resultado primário acumulado no período apresentou déficit de R$ 89,3 bilhões, ou 0,67% do PIB.
Lula também relacionou a trajetória da dívida ao desempenho da atividade econômica. Na avaliação apresentada pelo presidente, um crescimento mais forte do PIB ajudaria a reduzir proporcionalmente o peso do endividamento.
O governo, entretanto, reduziu recentemente de 2,3% para 2% sua projeção para o crescimento da economia em 2026, diante de uma desaceleração maior nos setores de serviços e indústria.
As declarações sobre as contas públicas foram dadas a uma semana do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Lula disputa a reeleição e apresentou, durante a entrevista, sua avaliação da situação fiscal e as linhas que pretende seguir em um eventual novo mandato.
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