Campo Grande (MS), Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026

Artigo / Opinião

Da dinastia política ao cabide de emprego nas eleições

27/09/2026

18:00

Júlio César Cardoso*

Júlio César Cardoso*

Segundo levantamento do Congresso em Foco, cerca de 17,5% dos parlamentares brasileiros, o equivalente a 104 deputados e senadores, terão familiares disputando as eleições de 2026. Isso significa que, em média, um em cada seis congressistas está diretamente ligado a uma candidatura de parente próximo.

Com o voto obrigatório, o país se torna um terreno fértil para que famílias políticas se perpetuem no poder, transformando o setor público em espaço de favorecimento pessoal, em vez de servir ao interesse coletivo.

Movidos mais por vantagens privadas do que pelo genuíno propósito de representar a sociedade, muitos candidatos convertem a política em palco de interesses particulares. Essa inversão de valores corrói a credibilidade das instituições e afasta o exercício parlamentar de sua verdadeira missão: trabalhar pelo bem comum.

Grande parte dessas candidaturas não se apoia em trajetórias sólidas na iniciativa privada. Se as tivessem, dificilmente abandonariam carreiras estáveis para ocupar funções públicas. Muitos se apresentam apenas como reflexo da imagem de familiares, tornando-se “candidatos-espelho” em busca de salários e privilégios.

É plausível supor que, se o exercício parlamentar não fosse tão bem remunerado, boa parte desses nomes não se aventuraria na política. Se o mandato fosse tratado como serviço cívico temporário, com apenas uma ajuda de custo, restariam apenas pessoas dispostas a servir sem esperar recompensas financeiras. Nesse cenário, a política seria exercida com seriedade, e as falcatruas e corrupções seriam minimizadas.

Moral da história: muitos ingressam na vida pública motivados por conveniências e privilégios, não pelo compromisso de servir à sociedade e ao país. Os políticos brasileiros tornaram-se símbolo de descrédito nacional. Votar, nesse contexto, significa dar emprego e prestígio a quem não merece, enquanto o eleitor permanece desempregado, esquecido e sem perspectivas.

Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC


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