Justiça / Banco Master
Mendonça aguarda há mais de 100 dias dados do iCloud de “Sicário” no caso Master
Mendonça aguarda há mais de 100 dias dados do iCloud de “Sicário” no caso Master
27/09/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Ministro autorizou em junho acesso da PF ao conteúdo armazenado na nuvem de Luiz Phillipi Mourão; mensagens indicam que irmã dizia ter material capaz de comprometer a família Vorcaro
Mais de 100 dias depois de autorizar a Polícia Federal (PF) a acessar dados armazenados no iCloud de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda aguarda o recebimento do material. A informação foi publicada neste domingo (27) pela coluna de Lauro Jardim, de O Globo, e repercutida por outros veículos.
A autorização foi anunciada por Mendonça em 16 de junho, durante julgamento na Segunda Turma do STF que manteve as prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigados no caso envolvendo o Banco Master.
Na ocasião, Mendonça revelou que havia determinado anteriormente a preservação do conteúdo armazenado na conta de iCloud de Sicário e posteriormente autorizado a quebra do sigilo para que a PF tivesse acesso aos dados.
O interesse dos investigadores pelo conteúdo ganhou relevância após a identificação de mensagens atribuídas a Joana Mourão, irmã de Sicário.
De acordo com relatório da Polícia Federal tornado público em junho, Joana afirmou possuir informações e documentos que poderiam comprometer a família de Daniel Vorcaro. Em mensagem de 26 de abril de 2026, ela escreveu que tinha material capaz de “acabar com a família inteira”.
As mensagens foram trocadas em um contexto de dificuldades financeiras enfrentadas pela família Mourão após a prisão e a morte de Sicário. Segundo a investigação, Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo, teria passado a atuar para garantir apoio financeiro à família. A PF o aponta como integrante de um grupo investigado por supostas ações de intimidação e obtenção clandestina de informações.
Em outra conversa, Joana teria ameaçado divulgar informações envolvendo Henrique Vorcaro, pai de Daniel. Os relatos constam da documentação policial encaminhada ao STF.
Segundo a informação publicada neste domingo, investigadores encontraram ainda mensagens segundo as quais Joana teria conseguido visualizar parte do material mantido “nas nuvens” pelo irmão.
Um familiar teria relatado que ela “viu coisa demais” e precisou tomar medicamento depois de acessar o conteúdo. O teor integral desses arquivos, entretanto, não é conhecido publicamente, e as afirmações sobre seu potencial comprometedor são relatos presentes nas mensagens, não uma conclusão judicial sobre o conteúdo.
Essa distinção é importante: há documentação da PF mostrando que a irmã afirmou possuir material contra a família Vorcaro, mas isso não permite concluir, antes da análise dos arquivos, o que efetivamente existe no iCloud nem se o conteúdo comprova crimes.
Ao revelar a autorização para acessar o iCloud, Mendonça chegou a sinalizar que o conteúdo poderia trazer novos elementos para a investigação.
Na mesma sessão, a Segunda Turma do STF manteve as prisões de Henrique e Felipe Vorcaro. A investigação da PF atribui aos dois suposta participação em irregularidades relacionadas ao Banco Master. As defesas contestaram a necessidade das prisões.
Sicário, por sua vez, havia sido preso durante a Operação Compliance Zero. Segundo a investigação, ele participaria de ações de monitoramento, obtenção ilegal de informações e intimidação de pessoas consideradas de interesse do grupo investigado.
Passados mais de três meses desde a autorização anunciada por Mendonça, a principal questão permanece sem resposta pública: o que efetivamente está armazenado no iCloud de Sicário.
Até este domingo, as fontes consultadas não apresentam explicação oficial conclusiva sobre por que o material ainda não chegou a Mendonça, nem indicam se o atraso decorre de questões técnicas, procedimentos da PF, obtenção dos dados junto à Apple ou outra razão.
Por isso, embora as mensagens recuperadas pela investigação atribuam grande importância aos arquivos, somente a obtenção e análise do conteúdo poderão mostrar se eles têm relação direta com as suspeitas investigadas no caso Banco Master.
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