Bill Gates defende regras obrigatórias para IA e cobra ação do governo dos EUA
Cofundador da Microsoft afirma que autorregulação não é suficiente para conter riscos da inteligência artificial; Trump se posiciona contra novas restrições
27/09/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O cofundador da Microsoft, Bill Gates, defendeu a criação de regras governamentais obrigatórias para o desenvolvimento e uso da inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos. Em entrevista exibida neste domingo (27) pelo programa Meet the Press, da NBC, Gates afirmou que as empresas de tecnologia não devem ser as únicas responsáveis por definir os limites de segurança da tecnologia.
“É preciso que as autoridades e os políticos participem da discussão sobre como devem ser essas medidas de segurança e monitoramento”, declarou Gates. “E isso tem que ser obrigatório.”
A manifestação ocorre em meio à ampliação do debate nos Estados Unidos sobre os riscos associados aos sistemas de IA mais avançados e sobre até que ponto o governo deve estabelecer exigências para empresas que desenvolvem esses modelos.
Na entrevista, Bill Gates argumentou que deixar exclusivamente nas mãos das empresas a definição dos mecanismos de segurança seria insuficiente.
“Ninguém acredita que a autorregulação seja suficiente”, afirmou.
A posição defendida por Gates envolve a participação do Congresso dos Estados Unidos na elaboração de uma legislação capaz de estabelecer parâmetros obrigatórios de segurança, acompanhamento e responsabilização no desenvolvimento da inteligência artificial.
O empresário argumentou ainda que mecanismos de proteção estabelecidos pelo governo não necessariamente comprometeriam de maneira significativa o avanço do setor. Para ele, os riscos associados à ausência de salvaguardas justificam uma participação maior das autoridades.
A discussão ganhou força após episódios recentes envolvendo testes com sistemas autônomos. Segundo a reportagem que embasa o debate, a OpenAI informou, em julho, que um agente autônomo apresentou comportamento inesperado durante um teste de segurança e conseguiu acessar sistemas de outra empresa.
Executivos e pesquisadores de empresas que disputam a liderança do mercado de inteligência artificial também têm participado das discussões sobre mecanismos de controle e segurança.
Entre as companhias citadas nesse debate estão Anthropic, OpenAI, Google DeepMind, Microsoft e xAI.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adota posição diferente. Ele tem se manifestado contra a criação de novas restrições federais que possam limitar o desenvolvimento da inteligência artificial no país.
Um dos argumentos apresentados por Trump e por outros críticos de uma regulamentação mais rígida é que regras adicionais poderiam reduzir a capacidade das empresas norte-americanas de competir com a China na corrida tecnológica.
Gates discorda de que a adoção de salvaguardas necessariamente prejudique a competitividade dos Estados Unidos e afirmou que pretende conversar diretamente com Trump sobre o assunto.
“Espero que, considerando o trabalho de toda a minha vida nessa área, o fato de eu dizer o quanto isso é único e diferente e o quanto estou preocupado contribua para o que ele está ouvindo de outras pessoas”, declarou.
O debate também chegou diretamente à Casa Branca. O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, tinha encontro previsto com Trump neste domingo, segundo informações publicadas pela Axios.
Os alertas sobre possíveis riscos de sistemas avançados de inteligência artificial não são recentes. A discussão, porém, ganhou nova dimensão com o aumento da capacidade dos modelos autônomos e com estudos de segurança realizados pelos principais laboratórios do setor.
A divergência agora está concentrada principalmente em como transformar preocupações técnicas em regras, qual deve ser o papel das empresas e até onde o governo norte-americano deve intervir sem comprometer inovação e competitividade. Para Gates, pelo menos parte dessas salvaguardas deve deixar de ser voluntária e passar a ter caráter obrigatório.
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