Eleições / Abstenção
Abstenção pode ganhar peso em disputa presidencial apertada
Histórico mostra ausência de cerca de 20% do eleitorado nas últimas eleições; efeito sobre a disputa depende de quais grupos comparecem às urnas
26/09/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Com a aproximação das Eleições 2026, marcadas para 4 de outubro, a abstenção volta ao centro das análises sobre a disputa presidencial. Em uma eleição competitiva, diferenças no comparecimento entre regiões e segmentos do eleitorado podem alterar a composição dos votos efetivamente contabilizados, embora a abstenção, isoladamente, não indique benefício para determinado candidato.
O ponto central é que a eleição presidencial é definida pelos votos válidos, excluídos brancos e nulos. Assim, eleitores que deixam de comparecer não entram na base utilizada para calcular os percentuais dos candidatos. O impacto político da abstenção depende, portanto, de como essas ausências se distribuem pelo eleitorado.
“Se a ausência fosse distribuída de maneira uniforme entre todos os segmentos do eleitorado, seu efeito sobre o resultado seria igual para todos os candidatos”, explica o cientista político Leandro Gabiati. Segundo ele, o problema para as campanhas é que diferentes grupos sociais e regiões podem apresentar níveis distintos de comparecimento.
Em uma disputa apertada, esse comportamento aumenta a importância da mobilização dos eleitores. As campanhas procuram não apenas conquistar votos, mas garantir que seus apoiadores efetivamente compareçam às urnas.
O histórico recente confirma que aproximadamente um em cada cinco eleitores aptos deixou de comparecer em eleições presidenciais.
No primeiro turno de 2018, a abstenção chegou a 20,33%, equivalente a 29.941.265 eleitores, segundo a totalização oficial do Tribunal Superior Eleitoral.
Em 2022, o primeiro turno registrou 32.770.982 ausências, ou 20,95% do eleitorado apto. O comparecimento foi de 123.682.372 eleitores, equivalente a 79,05%.
Os números ajudam a dimensionar o contingente que fica fora das urnas. Entretanto, não permitem concluir antecipadamente qual candidatura seria favorecida por uma eventual alta ou queda da abstenção em 2026. Isso dependerá do perfil e da distribuição dos eleitores que comparecerem.
Especialistas apontam diferentes razões para a ausência às urnas, entre elas dificuldades de deslocamento e acessibilidade, condições socioeconômicas e características do próprio sistema eleitoral.
O envelhecimento da população também entra nessa análise. No Brasil, o voto é facultativo para maiores de 70 anos, assim como para jovens de 16 e 17 anos e pessoas analfabetas. Para eleitores alfabetizados entre 18 e 70 anos, o voto é obrigatório.
A possibilidade de justificar a ausência por meios digitais também tornou o procedimento mais simples. Para as eleições deste ano, quem estiver fora de seu domicílio eleitoral poderá apresentar justificativa pelo e-Título no dia da votação.
Apesar de aparecerem frequentemente juntos nas estatísticas eleitorais, abstenção e voto nulo são situações diferentes.
Na abstenção, o eleitor apto não comparece para votar. No voto nulo, a pessoa comparece à seção eleitoral, utiliza a urna e registra um voto que não é atribuído a nenhuma candidatura. Tanto votos nulos quanto brancos são excluídos do cálculo dos votos válidos.
Para 2026, quem não comparecer ao primeiro turno poderá apresentar justificativa posteriormente até 3 de dezembro de 2026. Se houver segundo turno e o eleitor também faltar, será necessária uma nova justificativa, com prazo até 8 de janeiro de 2027. Cada turno é considerado separadamente pela Justiça Eleitoral.
Com uma parcela historicamente próxima de 20% do eleitorado ausente, o comparecimento continuará sendo acompanhado pelas campanhas. O efeito sobre o resultado, porém, somente poderá ser determinado a partir da distribuição efetiva das abstenções entre regiões e diferentes segmentos do eleitorado.
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