Saúde Pública
Saúde ampliará busca ativa por apostadores após proibição das bets
Ministério prevê acompanhamento em saúde mental pelo SUS; estudo estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado às apostas
26/09/2026
09:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Ministério da Saúde pretende ampliar a identificação e o acompanhamento de pessoas com comportamento problemático relacionado às apostas on-line após as novas medidas anunciadas pelo governo federal para o setor. A estratégia prevê busca ativa e oferta de atendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ações desse tipo já são realizadas desde dezembro de 2025, com informações compartilhadas pelos ministérios da Fazenda e da Segurança e pela Receita Federal. Os dados, segundo ele, circulam no ambiente denominado Nuvem Brasil, submetido às regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às normas de confidencialidade aplicadas à área da saúde.
“O Ministério da Saúde é dono do ambiente onde circulam estes dados, o Nuvem Brasil, que é absolutamente protegido e opera seguindo todas as regras da LGPD e todas as regras da ética na saúde que os profissionais têm que seguir”, afirmou Padilha após o anúncio realizado na sexta-feira (25), em São Paulo.
A pasta pretende utilizar também o Meu SUS Digital e serviços de teleatendimento para alcançar pessoas que apresentem dificuldades relacionadas às apostas. A assistência deverá abranger ainda familiares afetados pelo comportamento de jogo problemático. O governo, porém, ainda não detalhou o fluxo da busca ativa nem informou quando a ampliação dos atendimentos será implementada.
Durante o anúncio, Padilha citou levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) sobre os efeitos econômicos e sanitários dos jogos. O estudo estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado ao jogo problemático no Brasil. Desse total, R$ 30,6 bilhões estão relacionados a impactos na saúde.
A estimativa inclui R$ 17 bilhões relacionados a mortes adicionais por suicídio, R$ 10,4 bilhões referentes à perda de qualidade de vida associada à depressão e outros R$ 3 bilhões em tratamentos médicos para a doença. O cálculo considera ainda consequências sociais, como perda de emprego e moradia e custos relacionados ao encarceramento.
Os valores são estimativas de custo social, e não despesas efetivamente desembolsadas pelo SUS. O estudo utilizou dados brasileiros e estimativas econômicas baseadas em metodologia internacional, com conversão pela paridade do poder de compra.
A ampliação da assistência ocorre no contexto das medidas anunciadas pelo governo federal em 25 de setembro de 2026 para restringir as apostas de quota fixa no país. Na área da saúde, o foco será identificar pessoas com sinais de dependência e direcioná-las para acompanhamento antes que o jogo problemático provoque consequências mais graves para o apostador e sua família.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Fazenda mantém subsídio de R$ 2,12 por litro ao diesel
Leia Mais
Caixa paga novo lote do antigo PIS/Pasep; veja quem pode receber
Leia Mais
STF condena Eduardo Bolsonaro a um ano de detenção por difamar Tabata Amaral
Leia Mais
Vídeo atribuído aos últimos momentos de Rick é antigo e foi gravado em jatinho
Municípios