Relações Exteriores / Diplomacia
Lula exalta protagonismo internacional do Brasil e projeta comércio de US$ 1 trilhão na despedida da Índia
Presidente destaca avanço nas exportações, fortalecimento do BRICS, defesa de reforma da ONU e expectativa de diálogo com Donald Trump
22/02/2026
07:30
DA REDAÇÃO
O presidente Lula afirmou ter certeza que o Brasil é um dos países de maior credibilidade em nível internacional: "Isso só é possível com muito trabalho e com muita seriedade" ©Ricardo Stuckert / PR
Em entrevista coletiva concedida neste domingo (22), em Nova Délhi, antes de seguir viagem para a Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço da visita de Estado à Índia e ressaltou o que classificou como novo momento do Brasil no cenário internacional.
Segundo o presidente, o país ampliou significativamente sua inserção comercial nos últimos anos. “É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil. Em apenas três anos e dois meses, nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros”, afirmou. Lula acrescentou que o Brasil mantém postura pragmática nas relações exteriores. “Nós não temos preferência comercial. O Brasil tem interesses comerciais. E o faremos com quem quiser fazer, desde que seja uma política de ganha-ganha.”
O chefe do Executivo recordou que, há 21 anos, o comércio exterior brasileiro alcançava a marca de US$ 100 bilhões. Atualmente, o volume gira em torno de US$ 649 bilhões, com a meta de atingir US$ 1 trilhão em médio prazo.
Lula demonstrou otimismo quanto à ampliação do fluxo bilateral com a Índia. De acordo com o presidente, o primeiro-ministro Narendra Modi propôs a meta de alcançar US$ 20 bilhões até 2030. Lula afirmou que o objetivo pode ser ainda mais ambicioso. “Nós vamos chegar a US$ 30 bilhões em 2030, porque o potencial econômico dos dois países é muito forte.”
Em 2025, o comércio bilateral superou US$ 15 bilhões pela primeira vez, registrando crescimento de 25% em relação a 2024.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, detalhou os resultados da missão diplomática. Segundo ele, foram assinados 11 acordos governamentais, abrangendo áreas como defesa, aviação civil e militar, comércio, investimentos, saúde, indústria farmacêutica, ciência, tecnologia digital, energia, minerais críticos, cooperação espacial, educação e cultura.
Entre os instrumentos formalizados, destacam-se a parceria digital para o futuro, acordos sobre minerais críticos, propriedade intelectual, serviços postais, empreendedorismo e certificados de origem, além de três instrumentos público-privados firmados entre universidades e fundações.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, classificou a visita como a mais produtiva da atual gestão. Durante a agenda, foi inaugurado o escritório da Apex em Nova Délhi, já em funcionamento. Produtos brasileiros passaram a integrar grandes redes de supermercados indianas, com presença inicial em cerca de 40 lojas. Entre os itens exportados estão castanha, açaí, limão e frutas brasileiras. Viana também anunciou a perspectiva de um voo direto entre Nova Délhi e o Brasil, o que deve facilitar o fluxo comercial e turístico.
Ao comentar eventual encontro com o ex-presidente norte-americano Donald Trump, Lula afirmou que pretende discutir a relação bilateral de forma ampla, além da pauta de minerais críticos.
“O que eu quero conversar com o Trump é a relação entre o Brasil e os Estados Unidos. Nós temos uma relação diplomática de 201 anos”, disse. O presidente afirmou esperar que o diálogo restabeleça uma relação “altamente civilizada e respeitosa”.
Sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, Lula avaliou que a redução para 15%, após percentuais que chegavam a 50% e 40% para alguns países, representa um alívio, mas destacou que medidas tarifárias podem gerar impactos inflacionários para os próprios consumidores norte-americanos.
Lula voltou a defender mudanças estruturais na Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente no Conselho de Segurança. Segundo ele, a atual composição não reflete a realidade geopolítica contemporânea.
“O Conselho de Segurança precisa ter mais representatividade. Não há nenhum país da África ou da América Latina como membro permanente”, observou, citando ainda a ausência de países como Índia, Brasil, Alemanha, México, Nigéria e Egito.
O presidente também ressaltou o papel estratégico do BRICS, bloco que reúne quase metade da população mundial. Para Lula, o grupo contribui para o equilíbrio geopolítico global e fortalece a atuação dos países do chamado Sul Global.
“O BRICS é um processo de formação de um grupo muito forte. Criamos um banco próprio e estamos dando identidade a países que antes eram marginalizados”, afirmou, defendendo maior integração entre BRICS e G20.
Ao encerrar a coletiva, Lula reafirmou que o objetivo da política externa brasileira é ampliar parcerias estratégicas, consolidar mercados e fortalecer a posição do país em fóruns multilaterais.
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