Política / Justiça
Dados fiscais de filho de Luiz Fux são acessados ilegalmente e ampliam investigação sobre vazamentos no STF
Rodrigo Fux é o terceiro parente de ministro do Supremo com informações consultadas de forma irregular; auditor da Receita é demitido e servidores são afastados
20/02/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, teve informações fiscais sigilosas acessadas de forma indevida nos sistemas da Receita Federal. Ele é o terceiro parente de integrante da Corte identificado como alvo de consulta irregular, em investigação que tramita sob sigilo no Supremo.
Antes dele, também tiveram dados fiscais acessados sem autorização a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e uma ex-enteada do ministro Gilmar Mendes. O caso está inserido no chamado inquérito das fake news, instaurado em 2019 para apurar ataques e ameaças contra ministros do tribunal.
A apuração ganhou novo capítulo nesta quinta-feira, 19, com a demissão do auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes, um dos servidores investigados. A exoneração foi publicada no Diário Oficial. Ele exercia função de substituto eventual na equipe de Gestão do Crédito Tributário da Delegacia da Receita em Presidente Prudente (SP).
A descoberta do acesso aos dados do filho de Fux ocorreu após determinação do ministro Alexandre de Moraes, que ordenou o rastreamento dos sistemas da Receita para identificar possíveis vazamentos envolvendo ministros e familiares.
Fontes com acesso à investigação confirmaram que, até o momento, cerca de cem pessoas teriam tido informações consultadas de maneira irregular. O STF não comentou oficialmente as novas revelações.
Durante a operação da Polícia Federal (PF) deflagrada na terça-feira, 17, quatro servidores foram alvo de busca e apreensão:
Ricardo Mansano de Moraes
Luiz Antônio Martins Nunes
Luciano Pery Santos Nascimento
Ruth Machado dos Santos
Todos foram proibidos de exercer função pública, impedidos de acessar sistemas da Receita e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), além de terem os passaportes retidos.
Como já revelado anteriormente, Ricardo Mansano admitiu a investigadores ter acessado dados da ex-enteada de Gilmar Mendes, alegando que teria cometido um equívoco ao confundir a identidade da pessoa consultada. Em depoimento, afirmou: “Fiz burrada”.
Ele foi submetido ao uso de tornozeleira eletrônica. Em nota, as advogadas Marianna Chiabrando e Camilla Chiabrando sustentaram que o servidor possui reputação ilibada e negaram envolvimento em irregularidades.
Outra investigada, Ruth Machado dos Santos, teria acessado dados fiscais de Viviane Barci de Moraes em 21 de agosto de 2025, a partir da unidade da Receita no Guarujá (SP). A servidora nega as acusações.
Segundo seu depoimento à PF, o acesso teria ocorrido durante atendimento ao público, e ela afirmou não saber se suas credenciais poderiam ter sido utilizadas por terceiros. Dois celulares foram apreendidos para perícia. A defesa, conduzida pelo advogado Diego Soares de Oliveira Scarpa, declarou que a servidora “jamais respondeu a procedimento disciplinar” e mantém reputação reconhecida entre colegas.
A determinação de rastreamento direto por parte de Alexandre de Moraes gerou desconforto entre integrantes da Corte. Ministros próximos ao presidente do STF, Edson Fachin, defendem que a ordem deveria ter partido da presidência do tribunal.
Paralelamente, a PF intimou o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kléber Cabral, para prestar esclarecimentos. Em declarações públicas, ele afirmou que o Supremo estaria utilizando a Receita para desviar o foco da crise envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, investigados na Operação Compliance Zero.
Em nota oficial, a Receita Federal confirmou que houve acessos indevidos e informou que os sistemas são plenamente rastreáveis. O órgão afirmou que qualquer desvio é “detectável, auditável e punível”, inclusive na esfera criminal.
A investigação segue sob sigilo no Supremo Tribunal Federal e pode resultar em responsabilizações administrativas e penais dos envolvidos.
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