Política / Eleições 2026
Flávio Bolsonaro questiona urnas em reunião com diplomatas e repete alegações negadas pelo TSE
Senador associou equipamentos brasileiros à Smartmatic, mas a Justiça Eleitoral afirma que a empresa não fornece urnas nem desenvolve o sistema de votação.
21/07/2026
20:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas brasileiras durante uma reunião com representantes diplomáticos de quase 50 países e organizações internacionais, nesta terça-feira (21).
Na apresentação, Flávio relacionou os equipamentos utilizados no Brasil à empresa Smartmatic, que atua em processos eleitorais em outros países, e mencionou supostos documentos da inteligência norte-americana sobre suspeitas envolvendo eleições venezuelanas.
A afirmação de que as urnas brasileiras seriam fornecidas pela Smartmatic já foi desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, declarou o senador durante o encontro.
Segundo Flávio, haveria denúncias do governo norte-americano e referências a documentos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) sobre vulnerabilidades em sistemas eletrônicos de votação, especialmente na Venezuela.
Em esclarecimento publicado originalmente em 2020 e atualizado em 8 de julho de 2026, o TSE informou que a Smartmatic não fabrica nem fornece as urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras.
De acordo com o tribunal, o projeto dos equipamentos e o desenvolvimento do sistema de votação são conduzidos pela própria Justiça Eleitoral.
“A empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos”, esclareceu o TSE.
A empresa teria atuado apenas no treinamento de profissionais responsáveis por prestar suporte técnico e operacional durante eleições.
O tribunal também já afirmou que a Smartmatic não possui acesso ao programa instalado nas urnas, desenvolvido e administrado exclusivamente pela Justiça Eleitoral.
Conforme o TSE, a Smartmatic firmou contratos em outras ocasiões para a prestação de serviços de conexão de dados e voz, sem participação no desenvolvimento ou na operação das urnas eletrônicas.
A empresa também participou de uma licitação para fabricar equipamentos destinados às eleições de 2020, mas perdeu a disputa para a Positivo.
A Justiça Eleitoral sustenta que o sistema brasileiro utiliza meios próprios e criptografados para transmissão de dados e não mantém conexão direta com redes públicas, como a internet, durante a votação.
Apesar das declarações sobre a origem dos equipamentos, Flávio afirmou que não pretendia questionar diretamente o sistema eleitoral brasileiro. O senador pediu que outros países enviem uma quantidade maior de observadores para acompanhar as eleições.
“Não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possível para as nossas eleições”, afirmou.
Ele também defendeu a participação de especialistas com conhecimento técnico sobre votação eletrônica, sob o argumento de ampliar a transparência e a segurança do processo.
O encontro integrou o projeto “Debatendo o Brasil”, série de reuniões reservadas entre pré-candidatos e representantes estrangeiros promovida pela Novo Selo Comunicação em parceria com o veículo The Brazilian Report.
A manifestação de Flávio ocorre quatro anos depois de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizar uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, em 18 de julho de 2022, para questionar a segurança das urnas eletrônicas.
Na ocasião, Bolsonaro apresentou suspeitas sobre o sistema de votação e sobre as eleições de 2018, sem demonstrar a ocorrência de fraude.
O episódio resultou posteriormente na condenação do ex-presidente pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-o inelegível por oito anos.
Flávio defendeu o pai durante a reunião desta terça-feira e afirmou que Bolsonaro apenas manifestava preocupações sobre transparência e segurança eleitoral.
“Ele está inelegível após uma reunião com embaixadores. Alguém que tinha uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral”, declarou.
Na reunião de 2022, Jair Bolsonaro também citou um inquérito da Polícia Federal, aberto em 2018, sobre o acesso indevido de um hacker a sistemas internos do TSE.
O tribunal informou que a invasão foi identificada e bloqueada, sem qualquer interferência na votação, na totalização dos votos ou nos resultados das eleições.
As urnas eletrônicas são utilizadas no Brasil desde 1996. Segundo a Justiça Eleitoral, não houve comprovação de fraude ou adulteração de resultados ao longo desse período.
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