Saúde / Prevenção
Hipertensão exige atenção ao “sal invisível” presente em alimentos industrializados, alerta especialista
No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, médica destaca que produtos comuns da rotina podem dificultar o controle da pressão mesmo sem excesso de sal no prato
24/04/2026
08:15
Dra. Mariana Wogel
©DIVULGAÇÃO
No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, lembrado em 26 de abril, especialistas reforçam um alerta que continua atual: o controle da pressão alta não depende apenas do uso correto dos medicamentos, mas também das escolhas alimentares feitas ao longo do dia. Um dos principais problemas, segundo médicos, está no consumo frequente de alimentos industrializados e ultraprocessados, que concentram grandes quantidades de sódio sem que muita gente perceba.
De acordo com a médica nutróloga Dra. Mariana Wogel, um erro comum é associar o risco apenas ao sal colocado diretamente na comida. Segundo ela, muitas pessoas deixam de adicionar sal ao prato, mas mantêm na rotina produtos com alta carga de sódio, o que acaba comprometendo o controle da doença.
“Muita gente acha que está se cuidando porque parou de colocar sal no prato, mas continua consumindo alimentos com alta carga de sódio ao longo do dia. O sal invisível, presente em produtos industrializados, é um dos maiores desafios para quem tem hipertensão”, afirma.
A relação entre o excesso de sódio e o aumento da pressão arterial já é amplamente reconhecida por diretrizes médicas nacionais e internacionais. A orientação geral é limitar o consumo a até 2 gramas de sódio por dia, o equivalente a cerca de 5 gramas de sal. Ainda assim, estimativas citadas em diretrizes brasileiras mostram que o consumo médio do brasileiro permanece acima desse limite.
Entre os alimentos que mais exigem cuidado estão os embutidos, como presunto, salsicha, linguiça, bacon e salame. Também entram nessa lista os temperos prontos, caldos industrializados, molhos, macarrão instantâneo, salgadinhos, biscoitos salgados, conservas, fast food e refeições congeladas.
Segundo a especialista, esses produtos concentram muito sódio mesmo em pequenas porções e, quando aparecem com frequência na alimentação, dificultam o controle da hipertensão de forma silenciosa.
“A hipertensão é silenciosa e, por isso mesmo, costuma ser negligenciada. Quando a pessoa mantém uma alimentação baseada em embutidos, produtos de pacote e preparações prontas, ela aumenta o consumo de sódio sem perceber. Isso interfere diretamente no controle da pressão”, diz Dra. Mariana Wogel.
Além do sal, a médica chama atenção para o padrão alimentar como um todo. Na avaliação dela, reduzir o consumo de ultraprocessados e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados é uma estratégia importante tanto para quem já recebeu o diagnóstico quanto para quem deseja prevenir a doença.
Nesse grupo entram frutas, verduras, legumes, feijões e preparações caseiras com menor presença de ingredientes industrializados. Esse tipo de alimentação, segundo a especialista, tende a favorecer melhor equilíbrio metabólico e cardiovascular.
Outro ponto de atenção é o consumo excessivo de bebida alcoólica, que também pode dificultar o controle da pressão e se associar a outros fatores de risco.
“Não se trata apenas de cortar um ingrediente. O controle da hipertensão exige mudança de padrão, regularidade e leitura mais crítica daquilo que está sendo consumido todos os dias”, afirma a médica.
A nutróloga reforça que a alimentação não deve ser vista como medida isolada, mas como parte de um cuidado mais amplo, que inclui acompanhamento médico, uso correto da medicação, atividade física, controle do peso e escolhas mais consistentes no dia a dia.
“Controlar a pressão envolve acompanhamento médico, uso correto da medicação quando indicada, atividade física, controle do peso e escolhas alimentares mais consistentes. A alimentação pode ajudar muito, mas precisa ser levada a sério”, conclui.
Sobre a Dra. Mariana Wogel
Dra. Mariana Wogel é médica nutróloga, especialista em Nutrologia pela ABRAN/AMB, com atuação em saúde feminina, emagrecimento, fertilidade e medicina integrativa. É autora de dois livros e criadora do Programa Ser Livre, com atendimento em Três Rios e Itaipava, voltado ao cuidado integral e ao acompanhamento contínuo da saúde da mulher.
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