Economia / Consumo
Consumo das famÃlias avança em março, mas alta dos alimentos pressiona orçamento no paÃs
Indicador da Abras mostra reação nas compras no fim do trimestre, enquanto cesta de produtos básicos sobe com força puxada por feijão, leite, ovos e carne
23/04/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O consumo das famílias brasileiras ganhou ritmo em março de 2026 e encerrou o primeiro trimestre em trajetória de alta, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). O indicador de Consumo nos Lares acumulou crescimento de 1,92% no trimestre. Na comparação entre março de 2026 e março de 2025, o avanço foi de 3,20%. Já em relação a fevereiro, a alta chegou a 6,21%, no melhor desempenho mensal do período.
O resultado foi influenciado pela concentração de compras no fim de março, em parte por causa da antecipação do consumo para a Páscoa, celebrada no início de abril, e também pelo chamado efeito-calendário, já que fevereiro tem menos dias. Os dados da entidade são deflacionados pelo IPCA, calculado pelo IBGE, e consideram todos os formatos de supermercados.
O desempenho do consumo também coincidiu com a entrada de recursos na economia. Em março, o Bolsa Família alcançou 18,73 milhões de lares, com repasse total de R$ 12,77 bilhões. Houve ainda injeção de cerca de R$ 2,5 bilhões do PIS/PASEP, liberação de R$ 1,8 bilhão em RPVs do INSS e mais R$ 300 milhões referentes ao lote residual de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física.
Para o segundo trimestre, a expectativa do setor é de continuidade do consumo sustentado por novos ingressos de renda. Entre eles estão a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, estimada em R$ 78,2 bilhões, com pagamentos a partir de 24 de abril para cerca de 35,2 milhões de beneficiários, além do primeiro lote de restituições do Imposto de Renda 2026, previsto em cerca de R$ 16 bilhões para 9 milhões de contribuintes no fim de maio.
Apesar desse cenário mais favorável para a renda, o setor supermercadista segue em alerta com os custos. Segundo o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan, o foco permanece na competitividade de preços, no ganho de eficiência operacional e no planejamento, diante de pressões logísticas e de custos no ambiente internacional.
Se de um lado o consumo cresceu, do outro a cesta de produtos continuou mais pesada para o bolso do consumidor. O Abrasmercado, indicador que acompanha a variação de preços de 35 produtos de largo consumo, registrou alta de 2,20% em março, a maior elevação mensal do trimestre. Com isso, o valor médio da cesta passou de R$ 802,88 para R$ 820,54.
Entre os principais fatores apontados para a pressão nos preços estão logística, clima, câmbio e condições de oferta ao longo das cadeias produtivas. No caso do feijão, a oferta mais restrita elevou a volatilidade. Já a carne bovina manteve viés de alta puxado pela demanda externa, enquanto ovos e leite subiram por fatores sazonais e recomposição de preços.
Nos produtos básicos, a maior alta de março foi a do feijão, com 15,40%, seguido pelo leite longa vida, com 11,74%. No acumulado do trimestre, o feijão já subiu 28,11%, enquanto o leite avançou 6,80%. Também apresentaram alta a massa de espaguete sêmola (0,91%), a margarina cremosa (0,84%) e a farinha de mandioca (0,69%).
Na direção oposta, houve recuo em itens como açúcar refinado (-2,98%), café torrado e moído (-1,28%), óleo de soja (-0,70%), arroz (-0,30%) e farinha de trigo (-0,24%).
No grupo das proteínas, o comportamento foi misto. Subiram os ovos (6,65%), a carne bovina traseira (3,01%) e a carne bovina dianteira (1,12%). Já o frango congelado caiu 1,33% e o pernil, 0,85%. No trimestre, a carne bovina traseira acumula alta de 6,29%.
Entre os alimentos in natura, a pressão foi ainda mais forte. O tomate subiu 20,31%, a cebola avançou 17,25% e a batata teve alta de 12,17% em março. No acumulado do trimestre, as altas chegam a 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente.
Na análise regional, o Nordeste teve a maior variação mensal em março, com alta de 2,49%, seguido pelo Sudeste, com 2,20%. O Sul avançou 1,92%, o Centro-Oeste subiu 1,83% e o Norte, 1,82%. Mesmo sem liderar a alta do mês, o Norte seguiu com os maiores custos médios da cesta entre as regiões brasileiras.
No recorte da cesta de 12 produtos básicos, o preço médio nacional teve elevação de 2,26% em março, passando de R$ 336,80 para R$ 344,40. Nesse grupo, as principais pressões vieram novamente do feijão e do leite longa vida.
Entre as capitais e regiões metropolitanas, Campo Grande apareceu em faixa intermediária de preços, com a cesta básica de 12 itens custando, em média, R$ 337,60. No Centro-Oeste, os valores se mantiveram próximos entre si, com Brasília em R$ 334,88 e Goiânia em R$ 335,82. Já os menores preços ficaram concentrados no Nordeste, enquanto o Norte permaneceu com os custos mais elevados do país.
O retrato de março mostra um consumidor mais ativo, impulsionado por entrada de renda e datas sazonais, mas ainda enfrentando uma inflação sensível nos alimentos. Em outras palavras, o dinheiro circulou mais, só que a ida ao supermercado continuou exigindo mais planejamento.
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