Economia / Trabalho
Alckmin associa avanço tecnológico à redução da jornada e defende debate sobre o fim da escala 6x1
Presidente em exercício afirma que aumento de produtividade e qualificação profissional abre espaço para rever o modelo de trabalho no país
21/04/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente em exercício Geraldo Alckmin afirmou nesta segunda-feira (20) que o avanço da tecnologia nas empresas pode sustentar, no futuro, a redução da jornada de trabalho no Brasil. A declaração ocorre em meio ao debate sobre o possível fim da escala 6x1, atualmente predominante em diversos setores da economia, e que já está em discussão no Congresso Nacional após proposta encaminhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Alckmin, a transformação tecnológica tem alterado o perfil do mercado de trabalho ao permitir maior produtividade com menos mão de obra, ao mesmo tempo em que exige trabalhadores mais qualificados. Para ele, esse movimento acompanha uma tendência já observada em vários países.
“Há uma tendência no mundo todo de redução de jornada de trabalho porque a tecnologia permite você fazer mais com menos gente. Muda o perfil, você passa a ter recursos humanos mais qualificados”, afirmou.
A declaração foi dada após visita à empresa química Unipar, em Cubatão (SP), unidade que passou por um processo de modernização concluído em dezembro de 2025.
Ao defender a discussão sobre a redução da carga horária, Alckmin destacou que os efeitos da inovação já aparecem em diferentes áreas da economia. Segundo ele, o uso de automação, mecanização, robôs e novas ferramentas tecnológicas tem ampliado a capacidade produtiva em setores como agricultura, indústria e serviços.
“Com mais tecnologia, passa a haver uma produção maior com menos pessoas. Isso vale para a agricultura, onde você mecaniza muito, vale para a indústria, com automação, robôs, e até para serviços, como a medicina”, disse.
Na avaliação do presidente em exercício, essa mudança não significa apenas substituição de mão de obra, mas também uma reconfiguração das funções profissionais, com mais demanda por qualificação técnica e adaptação a novos processos produtivos.
Alckmin afirmou que o governo federal é favorável à discussão sobre a redução da jornada, mas ponderou que o tema exige análise cuidadosa, levando em conta as características específicas de cada atividade econômica.
“O governo apoia e há necessidade de se analisar as especificidades, porque nem todos os setores funcionam da mesma forma. Cabe ao Congresso analisar e aprofundar esse debate. Mas nós somos favoráveis. Essa é uma tendência mundial”, declarou.
A fala reforça a posição do governo de que eventuais mudanças no regime de trabalho precisam considerar impactos setoriais, capacidade de adaptação das empresas e efeitos sobre emprego, renda e produtividade.
O debate sobre o fim da escala seis dias de trabalho para um de descanso vem ganhando força no país, especialmente entre trabalhadores e entidades sindicais que defendem melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Por outro lado, setores empresariais cobram cautela e argumentam que qualquer mudança precisa ser acompanhada de estudos sobre custos, competitividade e organização da produção.
Ao associar a discussão ao ganho de produtividade proporcionado pela tecnologia, Alckmin sinaliza que o governo pretende sustentar o debate com base em uma lógica de modernização econômica e transformação das relações de trabalho.
A proposta ainda deverá passar por ampla discussão no Congresso antes de qualquer alteração na legislação trabalhista.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
INSS começa a pagar primeira parcela do 13º nesta sexta-feira (24); veja calendário completo
Leia Mais
Cinco hábitos do dia a dia que aceleram o envelhecimento e colocam o coração em risco
Leia Mais
Vídeo manifesto da Dakila sobre o Safari Brasil amplia alcance internacional e reforça debate sobre Amazônia sustentável
Leia Mais
Novo programa do governo para renegociar dívidas pode alcançar até R$ 30 bilhões em contratos repactuados
Municípios