Política / Eleições 2026
Centrão adota cautela e posterga apoio na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
MDB, Republicanos, União Brasil, PP e PSD resistem a alinhamento imediato e devem decidir posição apenas nas convenções de julho
08/02/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Em meio à consolidação do cenário polarizado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), partidos do chamado centrão optaram por adotar uma estratégia de cautela. Dirigentes de legendas como MDB, Republicanos, Progressistas (PP), União Brasil e PSD indicam que a definição oficial sobre eventual apoio a um dos polos deverá ocorrer somente durante as convenções partidárias, previstas entre 20 de julho e 5 de agosto.
A avaliação predominante é que o quadro eleitoral ainda pode sofrer mudanças e que o momento exige prudência para preservar espaço político e ampliar bancadas no Congresso Nacional.
Parte das legendas trabalha com a possibilidade de manter postura de neutralidade nacional, liberando diretórios estaduais para decisões regionais, modelo semelhante ao adotado pelo MDB na eleição de 2022, quando lançou candidatura própria à Presidência com Simone Tebet.
Levantamento interno do MDB aponta divisão significativa: o presidente Lula teria apoio em 10 estados, enquanto é rejeitado em 16 estados e no Distrito Federal, evidenciando o racha interno sobre eventual alinhamento.
O Republicanos ainda não definiu oficialmente seu posicionamento e aguarda reunião da cúpula nacional. Já o PP, embora tenha manifestações públicas do senador Ciro Nogueira favoráveis a Flávio Bolsonaro, não formalizou decisão.
O União Brasil, sob liderança de Antonio Rueda, também evita sinalizações públicas, enquanto o PSD, presidido por Gilberto Kassab, articula projeto próprio, impulsionando pré-candidaturas de:
Eduardo Leite (PSD-RS)
Ratinho Jr. (PSD-PR)
Ronaldo Caiado (GO)
A leitura interna é que manter protagonismo pode fortalecer negociações futuras, especialmente na formação de chapas proporcionais.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que as eleições ocorrerão em:
4 de outubro de 2026 (1º turno)
25 de outubro de 2026 (2º turno, se necessário)
Nas mesmas datas serão escolhidos deputados federais, estaduais, distritais, senadores, governadores e presidente da República.
Nos bastidores, o PT trabalha para ampliar seu arco de alianças. Uma das possibilidades discutidas envolve oferecer a vaga de vice-presidente ao MDB, em eventual substituição ao atual vice, Geraldo Alckmin (PSB), como forma de consolidar apoio formal e ampliar tempo de propaganda eleitoral.
No entanto, lideranças emedebistas demonstram resistência. A avaliação interna é que ocupar a vice-presidência pode ter impacto limitado diante do objetivo prioritário de aumentar o número de deputados federais. Além disso, divergências nos palanques estaduais dificultam um alinhamento nacional automático.
Desde que anunciou sua pré-candidatura ao Planalto no fim de 2025, com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro também intensificou diálogo com lideranças de centro. Tentativas de aproximação incluíram encontros reservados e articulações informais.
Apesar disso, interlocutores relatam que há resistência ao nome do senador, especialmente em setores que buscam candidatura alternativa capaz de escapar da polarização direta entre PT e PL.
A percepção predominante no centrão é que a eleição de 2026 tende a manter forte divisão ideológica. Contudo, dirigentes acreditam que a decisão estratégica só deverá ocorrer quando o cenário estiver consolidado e as convenções partidárias estiverem próximas.
Até lá, a orientação é preservar autonomia, fortalecer candidaturas proporcionais e manter margem de negociação tanto com o campo governista quanto com a oposição.
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