Política / Eleições 2026
Alckmin sinaliza a petistas que não disputará cargo em SP se deixar a vice de Lula
Vice-presidente afirma que seguirá apoiando o presidente mesmo fora da chapa e descarta candidatura ao governo ou Senado paulista
08/02/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), comunicou a dirigentes do PT que não pretende disputar nenhum cargo eletivo em São Paulo caso seja retirado da chapa presidencial encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. A sinalização foi feita em conversas reservadas com lideranças petistas.
Segundo interlocutores próximos ao vice-presidente, a posição não foi apresentada como ameaça de rompimento. Alckmin teria deixado claro que continuará apoiando Lula mesmo que não integre a chapa, mas não pretende concorrer ao governo ou ao Senado paulista como alternativa política.
Nos bastidores, setores do PT defendem a construção de uma chapa forte em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, reunindo nomes como Fernando Haddad (PT), ministro da Fazenda, e Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento e Orçamento. Parte da estratégia incluiria a participação de Alckmin como candidato ao governo ou ao Senado, reforçando o palanque estadual de Lula.
Apesar dessas articulações, tanto Alckmin quanto Haddad já sinalizaram resistência à ideia de disputar cargos estaduais no próximo pleito.
Até o fim do ano passado, a reedição da chapa Lula-Alckmin, formada em 2022, era considerada praticamente consolidada. A aliança entre o petista e o ex-governador paulista se fortaleceu ao longo do mandato, e o PSB, partido de Alckmin, defende sua permanência na vice.
No entanto, Lula passou a indicar nos bastidores que poderia reavaliar o formato da composição. Em entrevista concedida na última quinta-feira (5 de fevereiro), o presidente afirmou que ainda não conversou formalmente com Haddad ou Alckmin sobre os papéis que deverão cumprir em São Paulo, mas destacou que ambos “sabem que têm um papel a desempenhar”.
Uma eventual mudança na vice poderia servir para ampliar a base de apoio da coligação nacional. Entre as hipóteses discutidas está a oferta da vaga ao MDB, legenda que mantém uma ala alinhada ao governo, mas que também se aproxima do PSD, partido com três pré-candidatos à Presidência.
Dos 27 diretórios estaduais do MDB, cerca de 17 estariam distantes do projeto lulista, enquanto 10 mantêm interlocução mais próxima com o governo federal, segundo levantamentos internos citados por aliados.
Aliados do vice-presidente avaliam que sua presença na chapa contribui para reduzir resistências a Lula em setores como o empresariado e parte do agronegócio. À frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alckmin mantém interlocução direta com grandes exportadores e representantes da indústria nacional.
Há também a avaliação de que sua eventual saída poderia gerar desgaste com o PSB e fragilizar a coligação governista.
Até o momento, segundo fontes próximas, Lula e Alckmin ainda não trataram diretamente sobre uma eventual alteração na composição eleitoral. A lealdade do vice-presidente é apontada por aliados como fator central para a manutenção da aliança, em um contexto político ainda marcado pela experiência traumática do rompimento entre Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) em 2016.
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