Economia / Agronegócio
Setor de carne bovina dribla tarifaço e garante ao Brasil liderança mundial nas exportações em 2025
País mantém liderança global com 1,8 milhão de toneladas embarcadas até agosto e diversificação de mercados
06/11/2025
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Brasil deve fechar 2025 reafirmando sua posição como o maior exportador mundial de carne bovina, mesmo após o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A avaliação é de Larissa Barbosa Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, que destaca a resiliência e maturidade do setor, sustentadas por uma combinação de demanda global aquecida, eficiência logística e diversificação de destinos.
Segundo o Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da consultoria, as tarifas adicionais norte-americanas — que elevaram a alíquota total de 26,4% para 76,4% — reduziram a competitividade brasileira frente a concorrentes como Austrália e Canadá, alterando temporariamente o fluxo comercial do produto.
“Mesmo diante de incertezas comerciais e possíveis pressões cambiais, o Brasil segue como referência mundial em qualidade, volume e confiabilidade”, afirmou Larissa Alvarez.
Apesar das barreiras impostas pelos EUA, os embarques de carne bovina brasileira atingiram níveis históricos.
De acordo com a StoneX, agosto registrou o maior volume mensal da história, com 268 mil toneladas exportadas, alta de 23,5% em relação ao mesmo mês de 2024.
No acumulado de janeiro a agosto, o país já soma 1,8 milhão de toneladas embarcadas, superando o ritmo de 2024 e indicando nova quebra de recorde anual, que pode ultrapassar 2,5 milhões de toneladas.
A China consolidou-se como o principal destino, absorvendo cerca de 60% das compras, impulsionada pela formação de estoques para o Ano Novo Lunar.
O México se tornou o segundo maior comprador, ultrapassando os Estados Unidos e triplicando suas importações em relação a 2024.
Outros destinos também ganharam relevância, como Rússia, Chile, Filipinas, Indonésia, União Europeia e países do Oriente Médio. A Indonésia, por exemplo, aumentou suas compras em seis vezes no comparativo anual.
O último trimestre do ano, tradicionalmente aquecido, será impulsionado pela maior oferta de animais terminados em confinamento e pela demanda asiática crescente.
Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), 40% dos abates envolvem animais com menos de 24 meses, o que reforça o foco na renovação do rebanho e na produtividade precoce.
Embora haja redução gradual no abate de fêmeas, o volume segue expressivo.
As escalas de abate mais longas e o avanço dos contratos antecipados indicam maior planejamento das indústrias, reduzindo negociações à vista e estabilizando os preços físicos.
O mercado doméstico também apresenta sinais de recuperação.
Com a proximidade do 13º salário e das festas de fim de ano, o consumo tende a aumentar, sustentando a demanda por proteínas animais.
A analista explica que, após a queda temporária nos preços do frango em função da gripe aviária, o retorno das exportações avícolas e a menor oferta interna dessa proteína favoreceram a valorização da carne bovina.
“O Brasil, como maior exportador mundial de frango, tende a ver esse movimento refletido em uma alta adicional nos preços da carne bovina no mercado doméstico”, destacou Alvarez.
Com desempenho consistente e fundamentos sólidos, o setor deve encerrar 2025 com novo recorde histórico de exportações, confirmando a liderança do Brasil no mercado global de proteína animal.
A capacidade de redistribuição geográfica da oferta e a eficiência logística e operacional reforçam o grau de maturidade do setor exportador, que se mantém competitivo mesmo diante de pressões tarifárias e cambiais.
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