Política / Justiça
Nikolas Ferreira apoiou alvo de operação da PF sobre corrupção em órgão ambiental
Gilberto Horta de Carvalho, acusado de articular esquema que teria lucrado R$ 1,5 bilhão, recebeu aval do deputado do PL em campanha para o Crea-MG
17/09/2025
16:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (17) a Operação Rejeito, que apura crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo mineradoras e servidores de órgãos públicos em Minas Gerais. Entre os presos está o geógrafo Gilberto Henrique Horta de Carvalho, apontado como lobista e articulador do esquema.
Carvalho, que chegou a se lançar candidato à presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), contou com o apoio público do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no final de 2023.
Em vídeo divulgado nas redes sociais de Carvalho durante a campanha, o parlamentar pediu votos:
“A gente sabe que durante muito tempo a esquerda se aparelhou nesses conselhos e a gente precisa desaparelhar isso para, no final das contas, servir a quem é de direita”, afirmou Nikolas.
Na sequência, Carvalho reforçou a fala do deputado:
“Para a gente limpar o sistema de engenheiros de esquerda, vote Minas Gerais para Gilberto Carvalho.”
A assessoria de Nikolas Ferreira foi procurada, mas não se manifestou até a publicação. A defesa de Carvalho também não foi localizada.
De acordo com a PF, uma empresa de Carvalho recebeu cerca de R$ 700 mil de uma mineradora investigada, em contexto de acordos que beneficiaram o setor junto ao governo de Minas Gerais. O grupo teria manipulado decisões administrativas e pago propina para obter licenças ambientais fraudulentas.
A Justiça Federal determinou a prisão preventiva de Carvalho por risco de destruição de provas e de reiteração dos delitos. Além dele, o diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mário Trivellato Seabra Filho, também foi preso.
No total, a operação cumpriu 79 mandados de busca e apreensão, 22 de prisão preventiva, bloqueio de R$ 1,5 bilhão e suspensão das atividades de empresas ligadas ao esquema.
Segundo a PF, o grupo investigado teria obtido lucros estimados em R$ 1,5 bilhão, com projetos em andamento que poderiam alcançar R$ 18 bilhões. O esquema envolveria corrupção de servidores de órgãos estaduais e federais, como:
Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)
ANM (Agência Nacional de Mineração)
Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais)
Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável)
A investigação conta com o apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Receita Federal.
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