Economia / Comércio Exterior
Tarifa de Trump pode atingir US$ 11 bilhões em exportações brasileiras aos EUA
Sobretaxa de 25% alcançará mais de 3 mil produtos e representa 29% de tudo o que o Brasil vendeu ao mercado norte-americano em 2025
16/07/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A nova tarifa de 25% anunciada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras. O valor corresponde a aproximadamente 29% dos US$ 37,7 bilhões vendidos pelo Brasil ao mercado norte-americano em 2025.
A estimativa foi apresentada pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Segundo a entidade, mais de 3 mil itens da pauta comercial brasileira serão alcançados pela sobretaxa, que entrará em vigor em 22 de julho de 2026.
Quando o impacto estimado é comparado ao total exportado pelo Brasil para todos os mercados no ano passado, a proporção é menor. As vendas externas brasileiras somaram US$ 348 bilhões em 2025, o que coloca o montante potencialmente afetado pela tarifa em cerca de 3% do total das exportações nacionais.
Em nota, a Amcham Brasil afirmou que a decisão norte-americana contrasta com o saldo positivo registrado pelos Estados Unidos nas relações comerciais com o Brasil.
De acordo com a entidade, os norte-americanos tiveram superávit de US$ 41,8 bilhões no comércio de bens e serviços com o país em 2025.
A associação também destacou o baixo nível das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos importados dos Estados Unidos.
Para a Amcham, a continuidade das negociações entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca permanece como o melhor caminho para tentar retirar ou reduzir a cobrança.
A imposição da tarifa é resultado de uma investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
O procedimento concluiu que determinadas práticas adotadas pelo Brasil estariam prejudicando empresas e exportadores dos Estados Unidos.
Entre os pontos levantados estão alegações de falta de proteção à propriedade intelectual, tolerância com pirataria e contrabando, aplicação de tarifas preferenciais consideradas desleais e barreiras ao comércio.
O relatório também questionou o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado e administrado pelo Banco Central do Brasil. Para os investigadores norte-americanos, a plataforma poderia gerar condições desfavoráveis às empresas de cartões de crédito dos Estados Unidos.
O governo brasileiro rejeita essas conclusões e sustenta que o sistema é uma infraestrutura pública digital, aberta à participação de instituições nacionais e estrangeiras.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, afirmou que as negociações se tornaram ainda mais urgentes diante da possibilidade de adoção de outras sanções comerciais.
Segundo ele, uma investigação norte-americana relacionada a trabalho forçado poderá elevar as sobretaxas sobre determinados produtos brasileiros para até 37,5%.
A entidade defende a manutenção do diálogo entre os dois governos para preservar o comércio bilateral e evitar impactos mais amplos sobre empresas, cadeias produtivas e empregos.
Apesar do alcance da nova tarifa, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) estabeleceu mais de 2,1 mil exceções.
A lista busca preservar mercadorias consideradas essenciais para o abastecimento e para o funcionamento de setores estratégicos da economia norte-americana.
Entre os principais produtos brasileiros isentos estão aeronaves, café, carne bovina, suco de laranja, petróleo e terras raras.
Essas mercadorias possuem participação relevante nas exportações brasileiras e são utilizadas por diferentes cadeias industriais e de consumo nos Estados Unidos.
Entre os produtos alcançados pela nova cobrança estão etanol, máquinas, equipamentos, calçados e diferentes categorias de produtos manufaturados.
A tarifa pode reduzir a competitividade desses itens no mercado norte-americano, uma vez que a sobretaxa aumenta o custo final para importadores e consumidores.
Empresas brasileiras poderão precisar buscar novos mercados, renegociar contratos ou absorver parte do aumento para manter os negócios com compradores dos Estados Unidos.
O efeito será diferente entre os setores, dependendo do volume exportado, da margem de lucro e da capacidade de substituir o mercado norte-americano por outros destinos.
Embora os US$ 11 bilhões representem apenas cerca de 3% de tudo o que o Brasil exportou em 2025, o impacto poderá ser elevado para empresas e segmentos que dependem diretamente dos Estados Unidos.
Setores com maior exposição ao mercado norte-americano poderão enfrentar queda nas vendas, perda de competitividade e redução da produção.
O governo brasileiro anunciou que adotará medidas para apoiar as empresas atingidas, diversificar os destinos das exportações e acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.
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