Saúde Pública
Lula anuncia rede nacional de hospitais e serviços inteligentes do SUS com investimento de R$ 4,8 bilhões
Primeiro hospital inteligente público será construído em São Paulo; rede prevê UTIs digitais em 13 estados
07/01/2026
20:00
DA REDAÇÃO
Presidente Lula durante anúncio da Rede Nacional Agora Tem Especialistas de Hospitais e Serviços Inteligentes de medicina de alta precisão, que terá investimento total previsto de R$ 4,8 bilhões para acesso ágil e especializado no SUS ©Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (7), a criação da Rede Nacional Agora Tem Especialistas de Hospitais e Serviços Inteligentes, iniciativa que prevê investimento total de R$ 4,8 bilhões para ampliar o acesso a atendimento especializado no Sistema Único de Saúde com uso de inteligência artificial, telemedicina e conectividade. Durante a cerimônia, realizada em Brasília, Lula afirmou que o objetivo é garantir que a população mais vulnerável não fique à margem das políticas públicas de saúde.
No evento, foi assinado contrato de US$ 320 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão) com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do BRICS, para a construção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI). A unidade será instalada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e se tornará o primeiro hospital inteligente público do SUS, com foco em urgência e emergência.
O investimento total no ITMI será de R$ 1,9 bilhão, somando recursos do Governo Federal (R$ 110 milhões), do Governo do Estado de São Paulo (R$ 55 milhões) e do financiamento internacional. O hospital integrará a rede nacional como modelo de assistência totalmente digital, inclusive para cooperação com países do BRICS.
Ao destacar o impacto da iniciativa, Lula afirmou que a modernização do SUS amplia e qualifica o atendimento. Segundo o presidente, os hospitais inteligentes terão ambulâncias e UTIs preparadas com tecnologia avançada, reforçando a capacidade do sistema público, cuja credibilidade foi evidenciada durante a pandemia da Covid-19.
Hospital inteligente e medicina de precisão
Com previsão de inauguração em 2029, o ITMI terá 800 leitos, sendo 250 de emergência, 350 de UTI e 200 de enfermaria, além de 25 salas cirúrgicas. A capacidade estimada é de 190 mil internações por ano e cerca de 27 mil cirurgias anuais. A unidade será especializada em medicina de emergência, terapia intensiva e neurologia.
O financiamento foi viabilizado após articulações do Ministério da Saúde junto ao NDB e aprovação da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento, em prazo considerado recorde.
A presidente do NDB, Dilma Rousseff, afirmou que o projeto insere o Brasil na vanguarda tecnológica da saúde, ao combinar inovação, ciência de dados e acesso universal.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a rede marca a entrada definitiva do SUS na fronteira tecnológica, com uso intensivo de IA para acelerar diagnósticos, monitorar pacientes à distância e integrar equipamentos hospitalares.
Rede nacional e UTIs inteligentes
A Rede Agora Tem Especialistas será estruturada em três eixos. O primeiro prevê a implantação de 14 UTIs inteligentes, com foco em cardiologia e neurologia, interligadas em hospitais de 13 estados: Manaus (AM), Belém (PA), Salvador (BA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Dourados (MS), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS). Os primeiros serviços devem entrar em operação no primeiro semestre de 2026.
O segundo eixo envolve a implantação do hospital inteligente, com expectativa de reduzir em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em situações de urgência e emergência. O terceiro eixo contempla a modernização de hospitais de excelência do SUS e a estruturação de serviços inovadores, incluindo o novo hospital da Universidade Federal de São Paulo, hospitais federais, o Instituto do Cérebro, no Rio de Janeiro, um novo hospital oncológico na Baixada Fluminense e uma nova unidade do Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul.
A proposta, segundo o governo, busca ampliar o acesso à saúde de alta complexidade, reduzir desigualdades regionais e consolidar um SUS mais integrado, tecnológico e universal, com foco na população que mais depende do sistema público.
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