Justiça / Segurança
PF recolhe no Rio Grande do Sul última arma registrada em nome de Bolsonaro
Espingarda foi localizada em Cachoeirinha após homem procurar voluntariamente a Polícia Federal para informar que mantinha o armamento
09/07/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal apreendeu nesta quarta-feira, 8 de julho, uma espingarda registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, em Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. O armamento era o último vinculado ao ex-chefe do Executivo que ainda não havia sido recolhido por determinação judicial.
A arma estava na residência de um homem que procurou espontaneamente a PF para comunicar que mantinha a espingarda e desejava entregá-la. Como não foi possível regularizar o transporte do equipamento, agentes foram até o endereço e fizeram a apreensão.
A medida integra o cumprimento de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a revogação do registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador, CAC, de Bolsonaro e o recolhimento de todas as armas de fogo vinculadas a ele.
Antes da localização da espingarda, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, em Brasília. A ordem autorizava a procura por armas, munições, acessórios e documentos de registro.
Nenhum armamento foi localizado durante as diligências. A operação foi determinada depois que surgiram divergências entre o número de armas formalmente registradas e a quantidade efetivamente entregue aos órgãos responsáveis.
Segundo Moraes, as informações contraditórias poderiam indicar o descumprimento da decisão judicial. O ministro também considerou incompatível a manutenção de armas sob posse ou controle de uma pessoa submetida à prisão domiciliar.
A defesa havia informado inicialmente que Bolsonaro possuía dez armas. Duas delas teriam sido entregues à Polícia Federal em 2023, por determinação do Tribunal de Contas da União, enquanto outras oito estariam guardadas no Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília.
Com base nessa informação, Moraes determinou que o Exército transferisse as oito armas para a PF no prazo de 48 horas. A corporação também deveria confirmar a guarda das outras duas já entregues.
O Batalhão de Polícia do Exército, porém, informou posteriormente que mantinha apenas seis armas. A ausência de duas delas provocou novos esclarecimentos e levou à realização de buscas.
Após nova conferência, a defesa declarou que uma das armas restantes, a espingarda agora apreendida, estaria sob responsabilidade de uma empresa importadora no Rio Grande do Sul. O armamento, no entanto, acabou localizado na casa de um homem em Cachoeirinha.
A ordem de recolhimento de todas as armas ganhou força depois que uma pistola registrada em nome de Bolsonaro foi apreendida durante uma abordagem policial no Distrito Federal.
Na sequência, Moraes manteve a prisão domiciliar e determinou a cassação do registro de CAC. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão e está em regime domiciliar humanitário desde 24 de março de 2026.
Com a apreensão da espingarda no Rio Grande do Sul, a Polícia Federal considera recolhido o último armamento que ainda constava como pendente. O material deverá passar por conferência e ser incluído no procedimento encaminhado ao Supremo.
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