Política / Justiça
Moraes rejeita pedido de prisão domiciliar e mantém Bolsonaro detido na Polícia Federal
STF afirma que não há requisitos legais para domiciliar e determina retorno do ex-presidente à PF após alta hospitalar
01/01/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (1º) o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para concessão de prisão domiciliar humanitária. Com a decisão, Bolsonaro deverá retornar ao cumprimento da pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, assim que receber alta hospitalar.
O pedido havia sido protocolado no STF na quarta-feira (31/12), após o ex-presidente passar por uma série de procedimentos médicos durante internação no hospital DF Star, na capital federal. A defesa alegou que as intervenções cirúrgicas recentes justificariam a substituição da prisão em regime fechado por domiciliar.
Na decisão, Alexandre de Moraes afirmou que há “total ausência dos requisitos legais” para a concessão da prisão domiciliar e destacou a existência de risco concreto de fuga, além de reiterados descumprimentos de medidas cautelares anteriormente impostas.
Segundo o ministro, a manutenção da prisão em regime fechado é necessária para garantir a aplicação da lei penal e o cumprimento de decisão judicial transitada em julgado. Moraes também mencionou atos concretos que indicariam tentativa de fuga, incluindo a destruição dolosa da tornozeleira eletrônica, conforme registrado nos autos.
O ministro rejeitou a argumentação da defesa de que haveria agravamento do quadro clínico do ex-presidente. De acordo com a decisão, os próprios laudos médicos apresentados indicam melhora dos desconfortos de saúde, após a realização de cirurgias eletivas.
“Diferentemente do alegado pela Defesa, não houve agravamento da situação de saúde, mas sim quadro clínico de melhora”, destacou Moraes no despacho.
Ainda segundo o ministro, todas as prescrições médicas solicitadas pela defesa podem ser integralmente cumpridas na Superintendência da Polícia Federal, sem prejuízo à saúde de Bolsonaro. A unidade conta com plantão médico 24 horas, além de autorização para:
Acesso integral dos médicos particulares do ex-presidente
Uso dos medicamentos necessários
Atendimento fisioterapêutico
Entrega de alimentação preparada por familiares
Desde 24 de dezembro, Bolsonaro está internado no hospital DF Star, em Brasília. Ele foi submetido a:
Cirurgia de hérnia inguinal bilateral, realizada no dia 25, sem intercorrências
Bloqueio do nervo frênico do lado esquerdo (27) e direito (29), para controle de crises de soluços
Procedimento cirúrgico complementar, segundo informações divulgadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro
Endoscopia, realizada na quarta-feira (31), que constatou persistência de esofagite e gastrite
A equipe médica informou que a previsão de alta hospitalar está mantida para esta quinta-feira (1º). Após a liberação médica, Bolsonaro deverá ser reconduzido à custódia da Polícia Federal, conforme determinado pelo STF.
A decisão reforça o entendimento da Corte de que condições médicas, por si só, não justificam a substituição da pena, desde que o tratamento possa ser garantido no sistema de custódia.
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