Polícia / Justiça
Ex-juiz da Lava Jato é flagrado em suposto furto de champanhe francesa de R$ 400 e vira alvo de processo disciplinar
Eduardo Appio foi afastado após imagens de supermercado em SC; magistrado nega crime e afirma que vídeo é fraudulento
17/12/2025
13:45
DA REDAÇÃO
© Tribunal Federal do Paraná
O ex-juiz federal Eduardo Appio, que sucedeu Sérgio Moro na condução da Operação Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba, tornou-se alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) após ser registrado por câmeras de segurança em um suposto furto de uma garrafa de champanhe francesa Moët Chandon, avaliada em mais de R$ 400, em um supermercado de Blumenau (SC).
O caso ocorreu no dia 18 de outubro de 2025 e ganhou ampla repercussão nacional, tanto pela gravidade da acusação quanto pelo histórico de embates públicos entre Appio e Sérgio Moro, hoje senador pelo União Brasil (PR). Em razão do episódio, o magistrado foi afastado do cargo, e o processo tramita na Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).
Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso ao material, o vídeo de cerca de 20 minutos mostra Appio circulando pelos corredores do supermercado, vestindo camiseta azul e bermuda. Em determinado momento, ele entra no setor de bebidas, pega uma garrafa de champanhe e segue caminhando com o item nas mãos.
As imagens indicam que, em seguida, o ex-juiz coloca a garrafa dentro de uma sacola e desce uma rampa em direção ao estacionamento. Antes de deixar o local, ele é abordado por dois seguranças, que o conduzem de volta ao interior do estabelecimento.
Em uma sala reservada, um dos vigilantes retira a garrafa da sacola e a coloca sobre a mesa. Ainda de acordo com o relato, Appio apresenta um cartão aos funcionários, gesto interpretado como uma tentativa de efetuar o pagamento após a abordagem.
Em declaração ao Estadão, Eduardo Appio negou a acusação, afirmando que o material divulgado não corresponde à realidade.
“O vídeo é fraudulento e vou provar isso assim que for intimado pelo TRF4 para me manifestar. Estou no sistema judicial há 31 anos e confio na Justiça”, afirmou.
Apesar da negativa, o Processo Administrativo Disciplinar foi instaurado com base em um boletim de ocorrência da Polícia Civil de Santa Catarina, que atribui ao magistrado o furto da garrafa de champanhe Moët Chandon.
Eduardo Appio ganhou notoriedade nacional em 2023, ao assumir a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, considerada o berço da Lava Jato, após a saída de Sérgio Moro. Desde então, passou a protagonizar confrontos públicos e institucionais com o ex-juiz e ex-ministro da Justiça, tornando-se um de seus principais críticos.
A relação conflituosa entre ambos contribuiu para a forte repercussão do episódio, que agora avança no âmbito administrativo e pode ter consequências definitivas para a carreira do magistrado, a depender da conclusão do TRF4.
O tribunal ainda não divulgou prazo para julgamento do processo disciplinar.
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