Política / Governo Federal
Lula confirma Guilherme Boulos como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência para reanimar base social da esquerda
Deputado do PSOL substitui Márcio Macêdo e assume missão de fortalecer diálogo com movimentos sociais e juventude até as eleições de 2026
20/10/2025
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta segunda-feira (20) a nomeação do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, pasta responsável pela interlocução do governo com os movimentos sociais.
Boulos assume o cargo no lugar de Márcio Macêdo, que vinha sendo criticado por sua atuação e deve deixar o governo para disputar as eleições de 2026, em Sergipe.
A troca ocorre num momento em que Lula busca reanimar sua base histórica de esquerda e reaproximar o governo dos movimentos populares e da juventude, mirando a reeleição de 2026.
Segundo aliados, a escolha de Boulos foi pensada para dar mais combatividade política nas redes e nas ruas, além de reconstruir o vínculo do Planalto com a militância social, que tem demonstrado desgaste nos últimos meses.
“Queremos um governo que volte a dialogar com as bases sociais, com quem está nas periferias, nas universidades e nos movimentos populares”, teria dito Lula a interlocutores próximos.
Márcio Macêdo foi informado da exoneração na sexta-feira (17), em reunião no Palácio da Alvorada com Lula e a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais).
Fontes próximas ao Planalto afirmam que o ex-ministro deverá retornar à articulação política em Sergipe, onde pretende concorrer a deputado federal, e pode assumir outra função dentro do governo.
A relação entre Macêdo e o presidente é antiga — ele acompanhou Lula durante o período de prisão em Curitiba —, mas nos bastidores cresciam críticas à sua baixa atuação junto a movimentos sociais e ao distanciamento da juventude militante.
Militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e principal liderança do PSOL, Boulos foi o deputado federal mais votado de São Paulo em 2022 e é visto como um dos principais herdeiros políticos de Lula na esquerda.
Ele foi candidato à Prefeitura de São Paulo em 2020 e 2024, chegando ao segundo turno em ambas as disputas — primeiro contra Bruno Covas (PSDB) e depois contra Ricardo Nunes (MDB).
A nomeação para o ministério representa uma recomposição política para Boulos após a derrota eleitoral e a chance de consolidar seu protagonismo nacional.
Segundo aliados, o deputado demonstrou disposição em abrir mão de uma nova candidatura à Câmara para integrar o governo até 2026, reforçando seu compromisso com a reeleição de Lula.
Com a entrada de Boulos, o PSOL passa a ter dois ministros no governo — ele e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) — e amplia a presença da esquerda mais progressista na Esplanada.
A mudança ocorre em meio a um quadro de tensão com o centrão, que, apesar de integrar a base governista, tem sinalizado aproximação com lideranças da direita para o pleito de 2026.
O objetivo do presidente é garantir sustentação política e social, reforçando o elo com os movimentos que historicamente apoiam o PT.
Além disso, Lula precisa lidar com a reforma ministerial em andamento, já que cerca de 20 ministros devem deixar os cargos até abril de 2026 para concorrer às eleições — conforme exige a lei de desincompatibilização.
A substituição de Márcio Macêdo marca a 13ª troca ministerial desde o início do atual mandato de Lula.
Entre as mudanças mais recentes estão:
Carlos Lupi (PDT) – deixou o Ministério da Previdência após investigações no INSS; substituído por Wolney Queiroz Maciel.
Cida Gonçalves (PT) – saiu do Ministério das Mulheres, substituída por Márcia Lopes, ex-ministra do Desenvolvimento Social.
Flávio Dino (PSB) – deixou o Ministério da Justiça para assumir vaga no STF.
Márcio França (PSB) – transferido de Portos e Aeroportos para o Ministério do Empreendedorismo.
Nísia Trindade (Saúde), Silvio Almeida (Direitos Humanos) e Paulo Pimenta (Secom) também foram substituídos em reacomodações políticas.
Com a entrada de Boulos, Lula reforça o núcleo político da Presidência e reorganiza o equilíbrio interno entre o PT, PSOL e aliados do centrão.
A presença de Boulos no Planalto tem forte valor simbólico: representa a reconexão de Lula com a militância popular e a tentativa de revitalizar a imagem do governo junto à base social — algo considerado crucial diante da perda de apoio popular e da escalada da oposição nas redes.
Aliados próximos avaliam que Boulos poderá dar novo fôlego ao diálogo com movimentos estudantis, sindicatos e coletivos urbanos, áreas que o governo reconhece ter deixado em segundo plano.
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