Justiça do Trabalho
Caso de mulher que pediu licença-maternidade para cuidar de bebê reborn vai à Justiça, mas é retirado após repercussão
Funcionária de Salvador alegou abalo psicológico e perseguição, mas desistiu da ação após ataques nas redes sociais
30/05/2025
07:15
DA REDAÇÃO
©ILUSTRAÇÃO
Uma mulher de 32 anos, moradora de Salvador (BA), desistiu de uma ação na Justiça do Trabalho após repercussão nacional do caso em que solicitava licença-maternidade para cuidar de um bebê reborn — uma boneca hiper-realista. A funcionária havia ajuizado ação contra a empresa onde trabalhava desde 2020, após ter o pedido negado e, segundo ela, sofrer zombarias e constrangimentos no ambiente de trabalho.
A ação, protocolada no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA), buscava o reconhecimento da maternidade afetiva com base em vínculos emocionais. A defesa argumentava que o caso envolvia um profundo abalo psíquico e pedia rescisão indireta do contrato de trabalho, além de indenização por danos morais de R$ 10 mil.
A funcionária era recepcionista em uma empresa do setor imobiliário e recebia um salário mínimo. Segundo os autos, ela comunicou à empresa sua “condição de mãe” e solicitou quatro meses de licença-maternidade e salário-família, por considerar o bebê reborn sua filha emocional.
De acordo com a advogada Vanessa de Menezes Homem, a funcionária passou a ser alvo de escárnio e comentários ofensivos por parte de colegas e superiores. “Disseram que ela precisava de psiquiatra, não de benefício”, declarou a defensora. A defesa sustentou que, embora não gestado biologicamente, o bebê reborn era fruto de “entrega emocional, investimento psíquico e comprometimento afetivo”, o que justificaria o direito à licença e à proteção jurídica com base no princípio da dignidade humana.
A audiência estava marcada para o dia 28 de julho, mas, nesta quinta-feira (29), a defesa da autora solicitou a desistência da ação, alegando assédio virtual em massa, zombarias e até ameaças físicas. A funcionária precisou desativar redes sociais e a advogada relatou que colegas da área jurídica fizeram piadas em grupos de WhatsApp, chegando a incitar violência.
A petição de desistência também requereu segredo de justiça no processo, para proteger a integridade da autora. “Em menos de 24 horas da ação protocolada, as vidas dos patronos e, principalmente, da reclamante, tornaram-se um verdadeiro inferno”, justificou a advogada.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Astrônomos identificam planeta semelhante à Terra com até 50% de chance de habitabilidade
Leia Mais
Sem Tarcísio no Planalto, Centrão fragmenta estratégia e busca alternativa à candidatura de Flávio Bolsonaro
Leia Mais
Resultado individual do Sisu 2026 já pode ser consultado no portal do MEC
Leia Mais
Lula lidera no primeiro turno, mas enfrenta cenário apertado no segundo, aponta Paraná Pesquisas
Municípios