Economia / Comércio
Brasil tenta acordo com EUA para evitar tarifa de 25% sobre exportações
Governo brasileiro trabalha com novo prazo até 15 de julho e vê dificuldade maior para negociar taxa adicional de até 12,5%
07/06/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O governo brasileiro tenta avançar em uma negociação com os Estados Unidos para evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações de produtos do Brasil. A sobretaxa foi recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e acendeu um alerta em Brasília sobre os impactos para empresas exportadoras e para a relação comercial entre os dois países.
A avaliação dentro do governo é que ainda existe espaço para um acordo tarifário, embora as conversas sejam consideradas difíceis. A principal aposta brasileira é demonstrar que uma solução negociada seria mais vantajosa para os dois lados do que a imposição da tarifa sugerida. Um dos argumentos usados pelo Brasil é que os Estados Unidos têm superávit comercial com o mercado brasileiro, o que enfraqueceria a tese de prejuízo no acesso ao país.
A recomendação do USTR foi resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O órgão norte-americano sustenta que o Brasil teria adotado práticas comerciais consideradas desleais. Entre os pontos citados no processo estão críticas ao Pix, interpretadas pelo governo brasileiro como tentativa de favorecer empresas norte-americanas do setor de pagamentos.
O Brasil rejeita essa leitura e afirma que os argumentos usados por Washington não são legítimos. Para o governo brasileiro, a medida teria caráter protecionista e representaria interferência em decisões internas do país. Outro ponto levantado por Brasília é que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre importações dos Estados Unidos seria de 2,7%, percentual considerado baixo para justificar uma reação tarifária dessa dimensão.
A nova data trabalhada pelo governo brasileiro é 15 de julho, prazo fixado pelo USTR para uma definição sobre o caso. Em tese, esse prazo ainda poderia ser prorrogado. A data dá mais tempo aos negociadores, já que o prazo inicial de 30 dias, definido após encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, termina neste domingo, 7 de junho.
As negociações, no entanto, enfrentam obstáculos. Os Estados Unidos estão envolvidos em outras frentes tarifárias com diferentes países e também lidam com tensões internacionais, incluindo o conflito no Oriente Médio contra o Irã. Esse cenário reduz o espaço político e diplomático para uma negociação rápida com o Brasil.
O governo brasileiro também avalia a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Trump. Uma das hipóteses seria uma conversa durante a reunião do G7, prevista para ocorrer na França, entre os dias 15 e 17 de junho. Até o momento, porém, não há confirmação de uma reunião bilateral entre os dois presidentes.
Outro ponto sensível é o alcance das demandas norte-americanas. Segundo integrantes do governo brasileiro, os Estados Unidos costumam apresentar reivindicações amplas em negociações desse tipo, envolvendo diferentes setores. O Brasil, por enquanto, busca manter a conversa restrita a temas tarifários e comerciais.
Nesse contexto, o governo brasileiro afirma que assuntos como terras raras não fazem parte da negociação atual. Também sustenta que o Pix não será incluído em qualquer acordo com Washington. A posição oficial é separar questões comerciais de temas considerados estratégicos ou internos.
Em paralelo, o Brasil vê como mais difícil a reversão da tarifa adicional de 10% a 12,5% aplicada a cerca de 60 países sob o argumento de suposta deficiência no combate ao trabalho análogo à escravidão. A avaliação em Brasília é que essa cobrança teria sido desenhada para não ser negociada caso a caso.
Essa taxa atinge não apenas o Brasil, mas também aliados tradicionais dos Estados Unidos, como Japão, União Europeia, Canadá e Índia, além da Argentina, comandada por Javier Milei, que tem mantido alinhamento político com Donald Trump em pautas internacionais.
Na prática, o resultado das negociações pode afetar exportadores brasileiros, setores produtivos e o fluxo comercial entre os dois países. Para o Brasil, evitar a tarifa de 25% é prioridade imediata, enquanto a cobrança adicional de até 12,5% é vista como uma disputa mais ampla e de solução menos provável no curto prazo.
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