Política / Economia
Eduardo Bolsonaro defende negociar Pix com os EUA e cita Zelle como alternativa
Deputado cassado sugeriu incluir meios de pagamento, terras raras e manganês em negociação após ameaça de tarifa americana
04/06/2026
08:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL, afirmou que o Brasil poderia levar o Pix para uma mesa de negociação com os Estados Unidos e citou o Zelle, sistema norte-americano de transferências, como uma alternativa semelhante ao modelo brasileiro. A declaração foi dada nessa quarta-feira, 4 de junho, em entrevista ao portal TMC News.
A fala ocorre em meio à pressão comercial do governo americano contra o Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação da Seção 301 e sugeriu a aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos norte-americanos.
Entre os argumentos apresentados pelo órgão americano estão supostas práticas consideradas desleais pelo Brasil, incluindo políticas de pagamento eletrônico que, segundo os Estados Unidos, prejudicariam empresas americanas ligadas ao comércio digital e aos serviços de pagamento.
Na entrevista, Eduardo Bolsonaro afirmou que os Estados Unidos possuem mecanismos semelhantes ao Pix, citando o Zelle como exemplo. Para ele, esse tipo de comparação poderia ser usado em uma negociação com o governo americano.
“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, declarou.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também defendeu que o Brasil poderia incluir outros temas estratégicos em eventual negociação com os Estados Unidos, como terras raras e manganês. Segundo ele, esses recursos poderiam ser colocados na mesa para tentar evitar retaliações contra sistemas de pagamento usados no país.
“Dá para botar na mesa isso daí e tentar segurar um ímpeto de retaliação sobre qualquer meio de pagamento que a gente utiliza aqui”, afirmou Eduardo Bolsonaro.
A investigação americana mira práticas brasileiras que, segundo o USTR, dificultariam a atuação de empresas dos Estados Unidos. Embora o argumento oficial seja comercial, analistas avaliam que a crítica ao Pix também envolve disputa por mercado, já que o sistema brasileiro reduziu a dependência de cartões e de plataformas privadas de pagamento.
O Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, permite transferências instantâneas, pagamentos por QR Code, operações entre pessoas físicas, empresas e órgãos públicos, além de funcionamento amplo durante todos os dias da semana. O sistema se tornou uma das principais formas de pagamento no país.
Já o Zelle é uma plataforma usada nos Estados Unidos para transferências entre contas bancárias. Apesar de ter proposta semelhante, o alcance é mais limitado. O sistema depende da adesão de instituições financeiras americanas e não possui a mesma abrangência funcional do modelo brasileiro.
Outra diferença está na velocidade e na integração do serviço. Enquanto o Pix realiza compensação de forma instantânea e ampla no Brasil, o Zelle pode levar alguns minutos para concluir determinadas operações e não é aceito por todos os bancos dos Estados Unidos.
A sugestão de Eduardo Bolsonaro acontece em um momento de aumento da tensão entre Brasília e Washington. A possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros passou a ser tratada pelo governo brasileiro como uma ameaça à economia nacional e reacendeu o debate sobre soberania, comércio exterior e tecnologia financeira.
Na prática, a declaração coloca o Pix no centro de uma disputa que mistura economia, política externa e tecnologia. O sistema brasileiro, amplamente utilizado pela população e pelas empresas, passou a ser visto também como peça de negociação em um ambiente de pressão comercial entre os dois países.
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