Política / Economia
Lula diz esperar ligação de Trump para discutir ameaça de tarifa dos EUA contra produtos brasileiros
Presidente afirmou que quer explicações sobre proposta norte-americana que mira produtos do Brasil e cita temas como Pix, etanol e desmatamento
02/06/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira, 2 de junho, que espera receber um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da proposta do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros.
A medida foi apresentada sob a alegação de que o Brasil adotaria práticas que oneram ou restringem o comércio norte-americano. A decisão detalha uma investigação que envolve temas como Pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
As medidas podem entrar em vigor até 15 de julho, após audiência pública marcada para 6 de julho.
“Eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência. Nós dois combinamos 30 dias, até 15 de julho, para termos uma resposta sobre o que nós propusemos”, disse Lula.
Durante o discurso, Lula afirmou que apresentou a Trump propostas envolvendo minerais críticos, terras raras, combate ao crime organizado e ampliação das relações comerciais entre os dois países.
O presidente brasileiro também disse estar disposto a discutir qualquer tema de interesse do governo norte-americano, mas defendeu que as negociações precisam ocorrer com respeito e equilíbrio.
“Trump, é o seguinte, cara: você disse que pintou uma química entre nós. Quem anunciou isso não foi você nem eu. Você me deu uma reunião e eu dei uma reunião para você, porque nós demos 30 dias para os nossos negociadores conversarem”, declarou.
A fala ocorreu durante a cerimônia de inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (HU-UFCAT), em Goiás.
Participaram do evento os ministros Alexandre Padilha, da Saúde; Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da República; e Leonardo Barchini, da Educação.
No discurso, Lula afirmou que o Brasil aprendeu a agir de “cabeça erguida” nas relações internacionais, sem se considerar melhor nem pior que outros países.
O presidente também disse que nunca “baixou a cabeça” para ninguém, que não teme pressões de Trump e que não deseja guerra com os Estados Unidos, mas busca uma relação baseada em paz, diálogo e respeito.
A recomendação do USTR abriu uma nova frente de tensão entre os governos brasileiro e norte-americano. Além da possível taxação de 25% sobre produtos do Brasil, o relatório questiona políticas públicas e práticas regulatórias brasileiras.
Entre os pontos citados está o Pix, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central, além de temas ligados à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas ambientais.
O governo brasileiro tem reagido às críticas e defendido que o Pix é uma ferramenta de inclusão financeira, inovação tecnológica e soberania nacional. A expectativa agora é que as negociações diplomáticas avancem antes do prazo previsto para eventual adoção das tarifas.
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