Política / Economia
Lula defende fim das bets e associa avanço das apostas ao endividamento das famílias
Presidente diz que gostaria de barrar as plataformas de apostas on-line, mas reconhece que mudança depende do Congresso e ocorre em meio ao crescimento da arrecadação federal com o setor
08/04/2026
20:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 8 de abril, que defende o fechamento das bets no Brasil e demonstrou preocupação com os efeitos sociais e econômicos da expansão das apostas on-line. Em entrevista ao ICL Notícias, Lula disse que, se dependesse apenas dele, as plataformas seriam encerradas, mas reconheceu que uma decisão dessa natureza exige articulação com o Congresso Nacional.
Ao comentar o tema, o presidente associou o crescimento das apostas ao agravamento do endividamento das famílias e ao avanço de problemas de saúde relacionados ao vício em jogos. Segundo Lula, a promessa de ganho rápido acaba atraindo consumidores já pressionados pela renda curta e pelas dificuldades financeiras, o que amplia um quadro de vulnerabilidade.
Na entrevista, o presidente também afirmou que o país não pode continuar convivendo com o que chamou de “jogatina desenfreada” e sustentou que o vício em apostas deve ser tratado como questão de saúde pública. Ao defender uma reação mais dura do Estado, Lula mencionou casos de pessoas que teriam perdido bens e mergulhado em situação extrema por causa do jogo.
Outro ponto levantado por Lula foi a dificuldade política para avançar com restrições mais duras ao setor. Segundo ele, o debate é complexo porque as empresas de apostas exercem influência sobre o ambiente político e contam com forte presença econômica e publicitária, inclusive no futebol. Ainda assim, o presidente rebateu o argumento de que o esporte depende desse mercado e lembrou que os clubes brasileiros existiram por décadas sem patrocínio das bets.
A fala do presidente ocorre em um momento de expansão do mercado e de aumento expressivo da arrecadação federal com a atividade. Segundo dados citados pela Agência Brasil a partir da Receita Federal, a tributação sobre apostas on-line e jogos de azar gerou R$ 2,5 bilhões em janeiro e fevereiro de 2026, contra R$ 756 milhões no mesmo período do ano anterior, crescimento de 236%.
Ao mesmo tempo, dados apresentados pelo Banco Central em abril de 2025 indicaram que os apostadores chegaram a destinar até R$ 30 bilhões por mês às bets no primeiro trimestre daquele ano, sinalizando a dimensão econômica do setor e o alcance do hábito entre os brasileiros.
No campo legal, as apostas de quota fixa foram autorizadas inicialmente pela Lei nº 13.756/2018, no âmbito das apostas esportivas, e a regulamentação foi ampliada pela Lei nº 14.790/2023, que também alcançou os jogos on-line dessa modalidade. Hoje, a regulação do setor está sob responsabilidade do Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas.
Com isso, o governo vive uma situação contraditória: de um lado, o presidente sinaliza incômodo com os efeitos sociais das bets e fala abertamente em proibição; de outro, a regulamentação recente e a cobrança de tributos transformaram o setor em uma fonte crescente de arrecadação para a União.
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