Política / Senado
Flávio Bolsonaro critica CPI sobre Banco Master e acusa Alessandro Vieira de usar investigação com fins políticos
Senador afirma que proposta para investigar ministros do STF seria ilegal e amplia críticas ao colega parlamentar em meio a debate no Congresso
11/03/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, que a proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) apresentada no Senado para investigar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no contexto do caso envolvendo o Banco Master seria juridicamente inadequada. Em entrevista ao SBT News, o parlamentar declarou que o instrumento parlamentar não poderia ser utilizado para apurar crimes comuns atribuídos a pessoas específicas.
A CPI foi proposta pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e tem como objetivo investigar supostas relações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o banco investigado. O requerimento foi protocolado na segunda-feira, 9 de março, com 35 assinaturas, número superior ao mínimo exigido para a abertura da comissão.
Apesar de ter sido um dos signatários do pedido — o 29º a assinar o documento —, Flávio Bolsonaro afirmou que houve uma estratégia política para pressioná-lo publicamente. Nas redes sociais, eleitores da oposição chegaram a questionar o motivo de o senador não ter aderido imediatamente à iniciativa.
Segundo o parlamentar, Alessandro Vieira teria acelerado a coleta de assinaturas durante o fim de semana para gerar constrangimento político. “Ele correu com as assinaturas para insinuar que eu não assinaria por algum tipo de vínculo com os investigados, o que não corresponde à verdade”, declarou.
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro ampliou as críticas ao senador sergipano e acusou Vieira de transformar investigações parlamentares em instrumentos de disputa eleitoral. O parlamentar citou a condução da CPI do Crime Organizado, na qual afirmou esperar que o foco fosse o combate a facções criminosas como PCC e Comando Vermelho.
Segundo ele, a comissão acabou convocando autoridades ligadas à área econômica do governo anterior, como Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, o que, na avaliação de Flávio, teria desviado o objetivo original da investigação.
“Senadores como Alessandro Vieira acabam descredibilizando o que ainda resta de credibilidade das CPIs”, afirmou.
Mesmo criticando o formato atual da proposta, o senador declarou que assinou o requerimento e defendeu a inclusão de outros nomes no escopo da investigação parlamentar. Entre eles estão o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, além do empresário Augusto Lima.
De acordo com Flávio Bolsonaro, essas autoridades também teriam participado de reuniões com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. “Se houve encontros, é importante que todos sejam investigados”, afirmou.
A proposta da CPI surge em meio às repercussões das investigações relacionadas ao Banco Master. Informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicariam que o banqueiro manteve contato com o ministro Alexandre de Moraes, relatando negociações envolvendo a venda da instituição financeira.
Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo também apontou ligações entre um empreendimento vinculado a familiares do ministro Dias Toffoli e fundos associados ao banco investigado.
Segundo as apurações divulgadas, algumas comunicações teriam sido feitas utilizando o recurso de mensagens com visualização única, mecanismo que dificulta o acesso ao conteúdo completo das conversas.
Apesar de considerar a CPI juridicamente inadequada em seu formato atual, Flávio Bolsonaro declarou apoiar a possibilidade de responsabilização de ministros do Supremo Tribunal Federal caso sejam identificadas irregularidades.
O senador afirmou que já assinou pedidos de impeachment de ministros do STF e que continuará apoiando iniciativas semelhantes quando entender que houve descumprimento da Lei nº 1.079, conhecida como Lei de Responsabilidade.
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