Campo Grande (MS), Sábado, 14 de Fevereiro de 2026

Política / Justiça

Acordo interno no STF levou à saída de Toffoli da relatoria do caso Master

Mesmo com maioria para permanecer no processo, ministro encaminhou redistribuição após proposta de nota institucional articulada por Flávio Dino

13/02/2026

20:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A sessão reservada do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, terminou com a retirada de Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Banco Master, apesar de o ministro contar com maioria para permanecer à frente da investigação.

Dos dez ministros presentes — há uma cadeira vaga desde a saída de Roberto Barroso —, oito se posicionavam pela permanência de Toffoli e dois eram contrários. O placar inicial indicava apoio de Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques e do próprio Toffoli. Contrários estavam Cármen Lúcia e Edson Fachin, presidente da Corte.

O impasse, contudo, não era jurídico, mas institucional. A ausência de unanimidade e o desgaste público em torno da investigação conduzida pela Polícia Federal, que produziu um relatório de 200 páginas, pressionaram a Corte a buscar uma solução política antes da votação em plenário prevista para o dia seguinte.

O relatório, entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, defendia a arguição de suspeição de Toffoli na relatoria do caso do Banco Master, liquidado em novembro de 2025, com impacto estimado em R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


Reunião preliminar e tensão institucional

Antes da sessão ampliada, houve uma reunião restrita às 13h30 com Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Dias Toffoli.

Logo no início, Toffoli advertiu que, caso sua suspeição fosse arguida, iria “agravar”, apresentando todos os recursos possíveis para contestar a decisão.

Alexandre de Moraes afirmou que votaria pela permanência do colega e classificou como “absurdo” a investigação conduzida pela PF sem autorização prévia do STF.

Gilmar Mendes também sinalizou voto favorável a Toffoli.

Cármen Lúcia declarou que não tomaria posição sem analisar o relatório: faria a leitura “à noite”.


Defesa de Toffoli

Na sessão ampliada, Toffoli afirmou que olharia “nos olhos” de Fachin e declarou “não ter nada a temer” sobre negócios próprios ou de familiares.

Referiu-se ao caso do Resort Tayaya, no Paraná, que teve participação societária de pessoa ligada a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que deixou o empreendimento em fevereiro de 2025.

Toffoli ainda defendeu a criação de um código de ética para o STF, propondo que todos os ministros divulgassem declarações de Imposto de Renda e informações patrimoniais.

Gilmar Mendes interrompeu:
Nós não estamos aqui para discutir Código de Ética”.

Toffoli respondeu:
Inclusive abro as minhas contas bancárias. Mas isso é para estar no código de ética. Eu não vou abrir sozinho”.


Intervenções dos ministros

Luiz Fux foi direto:
O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”.

Alexandre de Moraes declarou:
Amigo” de Andrei Rodrigues, mas votaria pela permanência de Toffoli. Disse que a PF realizou uma investigação ilegal e que, sem autorização, qualquer achado seria nulo.

Nunes Marques afirmou:
Para mim, isso é um nada jurídico”.
E acrescentou:
Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil”.

André Mendonça reconheceu uma “crise de institucionalidade”, mas afirmou que não via fundamento na suspeição. Questionou a alegada “relação íntima” entre Toffoli e Vorcaro:
Relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa?”.


O debate técnico

Cristiano Zanin afirmou que votaria pela permanência de Toffoli e declarou:
Isso aqui tudo é nulo”, referindo-se ao relatório da PF.

Ao mencionar a empresa de inteligência Black Wall Global, Zanin disse não saber do que se tratava. Alexandre de Moraes respondeu:
Eu conheço. Isso aí é o pessoal do Mossad”.


A proposta de Flávio Dino

A inflexão da sessão ocorreu na fala de Flávio Dino. Ele afirmou:

Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico”.
A crise hoje é política, presidente”.

Dino sustentou que a suspeição de ministros do STF só caberia em casos extremos, como “pedofilia, e se tiver prova, e de estupro, e se tiver prova”, e completou:
E qualquer outro pedido de arguição eu sou STF futebol clube”.

Propôs então uma solução institucional:

O ideal seria resolver isso administrativamente, numa nota, em que os 10 ministros assinassem, dizendo que apoiam o ministro Dias Toffoli, que não há suspeição nem impedimento”.

E acrescentou que, após a nota, Toffoli poderia, “num gesto de grandeza e em defesa da institucionalidade”, encaminhar o caso para redistribuição.


Desfecho

Fachin insistia na votação em plenário na sexta-feira. Toffoli, contudo, decidiu antecipar o desfecho:

Eu sei que a imprensa vai divulgar que eu fui retirado do processo. Eu preferia que fosse diferente, mas se for a decisão hoje para parar hoje… é melhor e eu aceito”.

Com isso, encaminhou o processo para redistribuição regimental. O novo relator passou a ser André Mendonça.

Nos bastidores do Supremo, a avaliação predominante é de que a decisão buscou reduzir a temperatura institucional e evitar um julgamento público que poderia expor divisões internas da Corte às vésperas do Carnaval.

Embora tivesse maioria para permanecer, Toffoli deixou o caso por uma solução construída politicamente dentro do próprio STF, em meio a um debate que misturou técnica jurídica, institucionalidade e preservação da imagem da Corte.


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