Política Internacional
Tony Blair é cotado para liderar governo provisório em Gaza após a guerra
Ex-premiê britânico surge como nome forte em plano de transição proposto por Donald Trump, mas enfrenta resistência entre palestinos
29/09/2025
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair (1997–2007) voltou ao centro das discussões internacionais ao ser cogitado para chefiar uma administração provisória em Gaza, no cenário pós-guerra entre Israel e Hamas. Aos 72 anos, Blair é visto como peça-chave no plano apresentado pelo presidente americano Donald Trump para reorganizar o enclave palestino, devastado após quase dois anos de conflito.
Segundo a imprensa israelense, Blair trabalha ao lado de Jared Kushner, genro de Trump, na formatação da proposta. O projeto prevê a criação da Autoridade Internacional de Transição de Gaza (Gita, na sigla em inglês), que ficaria responsável por governar o território por até cinco anos.
O modelo é inspirado nas administrações internacionais que supervisionaram as transições em Timor Leste e Kosovo.
A sede inicial ficaria na cidade egípcia de el-Arish, no Sinai.
O governador teria sob sua responsabilidade um conselho de sete integrantes e um secretariado de até 25 pessoas.
Um representante palestino integraria o conselho, mas ainda não está definido se teria ligação com a Autoridade Palestina, presidida por Mahmoud Abbas — considerado um dos pontos frágeis da proposta.
O plano afirma que não haverá deslocamento forçado de palestinos e que, em última instância, a missão é transferir o poder a uma Autoridade Palestina reformulada e independente.
Blair mantém bom trânsito com Israel e países árabes, além de experiência prévia como enviado especial do Quarteto (ONU, EUA, União Europeia e Rússia) para o Oriente Médio, entre 2007 e 2015. No entanto, sua participação na invasão do Iraque em 2003, como aliado do então presidente americano George W. Bush, gera forte resistência entre os palestinos.
Atualmente, Blair preside o Instituto Tony Blair para a Mudança Global. No mês passado, ele e Kushner participaram de reunião na Casa Branca para discutir a iniciativa.
A proposta de transição faz parte de um plano de 21 pontos apresentado por Donald Trump a líderes de países muçulmanos na última semana. O projeto também será pauta na reunião desta segunda-feira (29) entre Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em Washington.
O êxito da iniciativa, contudo, depende diretamente de um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, condição considerada essencial para iniciar a fase de reconstrução política e econômica de Gaza.
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