Política Nacional
Crise envolvendo Banco Master provoca rompimento entre PL e Ibaneis Rocha no Distrito Federal
Isolado politicamente após investigações, governador mantém plano de disputar o Senado, mas aliados já admitem alternativas eleitorais para 2026
12/03/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A crise política desencadeada pelas investigações relacionadas ao Banco Master ampliou o isolamento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que perdeu o apoio do Partido Liberal (PL), legenda ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A ruptura ocorre em meio à divulgação de um contrato milionário ligado ao escritório de advocacia do governador, relacionado a um fundo investigado no contexto das fraudes financeiras envolvendo a instituição.
O rompimento compromete diretamente os planos eleitorais de Ibaneis Rocha, que pretendia disputar uma das vagas ao Senado Federal nas eleições de 2026 com o apoio do PL. Apesar da perda de aliados estratégicos, o governador tem afirmado publicamente que manterá sua pré-candidatura ao Senado.
Nos bastidores, entretanto, integrantes do próprio MDB admitem a possibilidade de um plano alternativo, caso o cenário político se torne inviável. Entre as alternativas discutidas está uma eventual candidatura a deputado federal, estratégia que garantiria mandato e preservaria o foro privilegiado, o que poderia oferecer proteção institucional diante de eventuais investigações relacionadas ao caso.
Até recentemente, Ibaneis Rocha mantinha uma aliança política com o campo bolsonarista. Ele foi eleito governador em 2018 e reeleito em 2022 com apoio direto de Jair Bolsonaro.
O plano para 2026 previa uma composição eleitoral em que Ibaneis disputaria o Senado com apoio do PL, enquanto a atual vice-governadora Celina Leão (PP) concorreria ao Governo do Distrito Federal. Nesse arranjo, uma das vagas ao Senado seria reservada a um nome alinhado ao bolsonarismo.
Com a crise atual, o PL decidiu romper a aliança com Ibaneis e passou a trabalhar com a possibilidade de lançar duas candidaturas próprias ao Senado: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), ambas consideradas figuras influentes dentro da base bolsonarista.
Apesar do rompimento com o governador, lideranças do PL indicam que o partido tende a manter apoio à candidatura de Celina Leão ao governo do Distrito Federal, considerada uma das principais forças políticas no campo conservador local.
Nesse cenário, o atual governador indicaria o candidato a vice da chapa, possivelmente o secretário da Casa Civil do DF, Gustavo do Vale Rocha.
Ainda assim, dirigentes do PL afirmam que a continuidade da aliança dependerá do desdobramento das investigações envolvendo o caso Master, já que existe receio de que o escândalo possa impactar a imagem da coalizão.
A crise política também levou a uma mobilização para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal, destinada a investigar possíveis irregularidades envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e operações relacionadas ao Banco Master.
A deputada federal Bia Kicis, que também preside o PL no Distrito Federal, defende a instalação da comissão. Segundo ela, os indícios levantados exigem apuração parlamentar.
“Quando surgem suspeitas relevantes de desvio de recursos públicos, é dever das instituições promover a investigação. A CPI é um instrumento legítimo de fiscalização”, declarou.
Além da pressão no Legislativo local, partidos da oposição também passaram a atuar no campo judicial. PSB e PSOL protocolaram pedidos no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando investigação sobre o caso e o eventual afastamento do governador.
A tensão política aumentou após a Câmara Legislativa do DF aprovar autorização para que o governo realize aporte financeiro no BRB, medida destinada a cobrir perdas relacionadas às operações com o Banco Master.
Mesmo com maioria formal de apoio — 17 dos 24 deputados distritais —, três parlamentares da base governista votaram contra a medida: Thiago Manzoni (PL), Rogério Morro da Cruz (PRD) e João Cardoso (Avante).
Reportagem da Folha de S. Paulo revelou a existência de um contrato no qual o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha teria vendido ao fundo Reag Legal Claims os direitos de recebimento de honorários no valor de R$ 38,13 milhões, equivalentes a 10% de uma condenação judicial, com data-base de dezembro de 2021.
Segundo investigações conduzidas pela Polícia Federal, o fundo Reag aparece relacionado ao esquema de fraudes financeiras que teria sido liderado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central nas operações investigadas do Banco Master.
Em nota, a defesa de Ibaneis Rocha afirmou que o governador não tem conhecimento sobre a negociação, destacando que ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018, quando assumiu o cargo de governador do Distrito Federal.
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