Política / Justiça
Entenda como funciona a anistia, tema central no Congresso após condenação de Bolsonaro e réus do 8 de Janeiro
Histórico no Brasil mostra anistias já aprovadas, mas juristas alertam para limites constitucionais e possíveis batalhas judiciais
19/09/2025
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A aprovação em regime de urgência do Projeto de Lei da Anistia, nesta semana na Câmara dos Deputados, reacendeu o debate sobre o alcance desse instrumento jurídico no Brasil. O relator da proposta, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), sinalizou que deve alterar o texto para tratar de redução de penas — medida que chamou de “dosimetria” — em vez de uma anistia ampla.
A discussão ganhou força após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros réus pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, considerados uma tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A anistia é um mecanismo que extingue a punibilidade de determinados crimes. Diferente da graça e do indulto (concedidos pelo presidente da República), a anistia só pode ser aprovada pelo Congresso Nacional e tem caráter coletivo, não sendo direcionada a pessoas específicas.
Segundo a advogada Marina Coelho Pinhão, vice-presidente do IASP, trata-se de uma prerrogativa exclusiva do Legislativo. Já o professor Diego Nunes, da UFSC, lembra que, por ser uma lei comum, a anistia pode inclusive ser vetada pelo presidente da República, embora esse veto possa gerar questionamentos jurídicos.
2010: governo Lula sancionou anistia a policiais e bombeiros militares que participaram de movimentos por melhorias salariais.
1979: durante a ditadura militar, a anistia perdoou crimes políticos do regime e da oposição armada, mas deixou de fora punições a violações de direitos humanos, tema ainda controverso.
Pode ser proposta por qualquer deputado, senador, governo federal ou iniciativa popular.
A urgência aprovada na Câmara permite que o projeto siga direto ao plenário, sem passar por comissões.
Após aprovação, o texto precisa ser avaliado pelo Senado e, depois, sancionado pelo presidente.
Uma vez promulgada, a anistia entra em vigor imediatamente. Presos podem pedir habeas corpus, medidas cautelares (como tornozeleira eletrônica) são extintas e processos em andamento podem ser encerrados. Instituições também podem rever punições administrativas e regimentais.
Embora seja uma lei comum, revogar uma anistia seria juridicamente complexo. Isso porque o sistema legal brasileiro não permite alteração em prejuízo do réu. Uma eventual declaração de inconstitucionalidade pelo STF poderia derrubar a lei, mas abriria um cenário de disputas judiciais.
A Constituição veda anistia a crimes de:
tráfico de drogas,
terrorismo,
crimes hediondos.
No caso dos ataques de 8 de janeiro, a situação é controversa. Crimes contra a democracia não estão explicitamente no rol de não anistiáveis, mas o STF já considerou inconstitucional a graça concedida por Bolsonaro ao ex-deputado Daniel Silveira, argumentando que “em uma democracia não se pode perdoar crimes contra ela”.
Segundo Diego Nunes, há um paradoxo: a Constituição classifica esses crimes como imprescritíveis e inafiançáveis, mas o Congresso tenta conceder anistia. “Um crime não pode ser imprescritível e anistiável ao mesmo tempo”, avalia.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Simone Tebet reage a ataque de Ricardo Nunes, chama fala de machista e oficializa filiação ao PSB em São Paulo
Leia Mais
CPMI do INSS encerra atividades sem aprovar relatório final após sete meses de investigação
Leia Mais
Confira seu astral para este sábado, 28
Leia Mais
Zanin suspende eleição indireta para governador do Rio e mantém presidente do TJ-RJ no comando do Estado
Municípios