Política
Temer diz que atritos com EUA reforçaram discurso eleitoral de Lula e critica “carta provocativa” ao New York Times
Ex-presidente afirma que sanções impostas por Trump fortaleceram narrativa de soberania nacional e defende diálogo direto entre líderes
16/09/2025
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta segunda-feira (15.set.2025) que os atritos recentes entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), acabaram fortalecendo a imagem política do petista no cenário interno.
Segundo Temer, as sanções norte-americanas ao Brasil e as críticas de Washington ao Judiciário brasileiro foram apropriadas por Lula como símbolo de resistência.
“Esse gesto dos EUA recuperou a figura do Lula, invocou-se soberania nacional, ‘aqui ninguém põe o pé, etc’. Levantou a história eleitoral do Lula”, declarou Temer em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
Apesar de reconhecer os ganhos políticos para Lula, Temer criticou a postura do presidente brasileiro diante da crise diplomática. O emedebista defendeu uma abordagem mais pragmática e afirmou que teria buscado contato direto com o norte-americano:
“Nessas questões, não se deve pensar em uma questão eleitoral, deve se pensar no Brasil. Eu telefonaria para o Trump. O diálogo é fundamental. Você sabe que eu acho que ele atenderia o telefone. E se atende, começa um diálogo”, disse.
Temer também reagiu ao artigo escrito por Lula e publicado no domingo (14.set) pelo jornal norte-americano. Para o ex-presidente, o texto teve caráter mais interno do que diplomático:
“Lamento dizer, mas esta carta foi provocativa, foi uma carta para o povo brasileiro. Lá na carta é dito que Trump é desonesto, que é falso”, criticou.
Desde o anúncio das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, em vigor desde 6 de agosto, Lula não fez contato direto com Trump.
Em declarações na época, o petista afirmou ter a “intuição” de que o norte-americano “não quer conversar” e que não se “humilharia” para buscar diálogo.
Trump, por sua vez, disse que o presidente brasileiro “pode ligar quando quiser”.
No início de setembro, Lula voltou a afirmar que “Trump não quer conversar” sobre o tarifaço.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
O Coaf, a autodefesa e o “knockdown” de Alexandre de Moraes
Leia Mais
Ministros de Lula aceleram agendas e entregas antes da saída do governo para disputar as eleições
Leia Mais
Moraes veta drones nas imediações da casa onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar
Leia Mais
Confira seu astral para este domingo, 29
Municípios