POLÍTICA
Setor de transporte critica reoneração gradual da folha de pagamento e prevê impactos negativos
Presidente do Setlog/MS alerta para aumento da inflação e demissões no setor de logística
14/09/2024
10:25
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Na noite de quarta-feira (11), a Câmara dos Deputados aprovou, no limite do prazo estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o texto-base do Projeto de Lei 1847/24, que prorroga a desoneração da folha de pagamento para empresas e municípios até o final deste ano. No entanto, o projeto prevê uma reoneração gradual a partir de 2025, com término em 2027.
O prazo para a votação foi determinado pelo STF, que considerou inconstitucional a Lei 14.784/23, que estendia a desoneração até 2027 sem indicar os recursos necessários para compensar a diminuição da arrecadação. A decisão gerou críticas de diversos setores da economia, incluindo o de logística e transporte.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog/MS), Cláudio Cavol, lamentou a aprovação do projeto. Ele criticou a reoneração da folha de pagamento de setores vitais para a economia do Brasil, como o de transporte, que é fundamental para o desenvolvimento do país e responsável por grande parte dos empregos.
“Infelizmente, o Congresso cedeu à pressão do Governo Federal e aprovou a reoneração da folha de pagamento de um setor essencial, que emprega muito e é crucial para dinamizar a economia brasileira”, disse Cavol. Ele defendeu que o setor de logística, que faz parte dos 17 setores impactados pelo projeto, deveria ter uma política fiscal diferenciada, uma vez que é o precursor do desenvolvimento nas cidades e regiões mais afastadas.
Para o presidente do Setlog/MS, a reoneração da folha de pagamento trará consequências diretas para a economia, incluindo aumento da inflação e demissões no setor. Ele alerta que haverá um impacto significativo nos custos de frete, o que, por sua vez, será repassado ao consumidor final através do aumento de preços dos produtos.
“O setor de transporte será forçado a fazer escolhas difíceis: ou aumentar os preços dos serviços ou demitir funcionários para equilibrar os custos. Isso certamente gerará um efeito cascata, com aumentos nos preços dos produtos que chegam ao consumidor”, afirmou Cavol.
A reoneração gradual da folha de pagamento afetará 17 setores da economia, incluindo confecção e vestuário, calçados, construção civil, call center, comunicação, empresas de construção e obras de infraestrutura, couro, fabricação de veículos e carroçarias, máquinas e equipamentos, proteína animal, têxtil, tecnologia da informação (TI), tecnologia de comunicação (TIC), projeto de circuitos integrados, transporte metroferroviário de passageiros, transporte rodoviário coletivo e transporte rodoviário de cargas.
O setor de transporte rodoviário de cargas, em particular, está entre os mais afetados, e a expectativa é de que os impactos sejam sentidos já nos próximos meses. Segundo Cavol, além do aumento de custos, a falta de uma política fiscal diferenciada para o setor de logística poderá prejudicar o desenvolvimento das regiões mais afastadas e menos estruturadas do país.
“A reoneração da folha desconsidera a importância do setor de transporte no desenvolvimento de regiões que ainda não possuem infraestrutura. O caminhão é o primeiro a chegar onde não há estradas, levando progresso e desenvolvimento. O governo precisa entender a relevância desse setor e tratar com mais atenção”, concluiu o presidente do Setlog/MS.
A prorrogação da desoneração da folha de pagamento até o final de 2023 alivia temporariamente os setores envolvidos, mas a reoneração gradual até 2027 exigirá adaptações e ajustes severos nas operações dessas empresas.
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