Campo Grande (MS), Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2026

Economia / Justiça

Governo Lula planeja ampliar estrutura do Coaf para endurecer combate a crimes financeiros

Proposta prevê criação de 66 cargos, seis unidades regionais e reforço no monitoramento contra lavagem de dinheiro e crime organizado

02/02/2026

17:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma ampla reestruturação do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) com o objetivo de reforçar o combate a crimes financeiros, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. O plano, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, prevê a criação de 66 cargos comissionados e a instalação de seis subunidades regionais de inteligência financeira.

A proposta foi encaminhada ao Ministério da Gestão pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na forma de um projeto de decreto presidencial. O prazo estimado para resposta do governo é de cerca de um mês.

Pressão tecnológica e aumento de responsabilidades

No documento que terá Lula como destinatário, Galípolo argumenta que a evolução das transações financeiras — com o avanço de tecnologias como criptoativos e a integração de fluxos monetários em escala global — impôs novos desafios operacionais e analíticos ao Coaf.

Desde 2019, quando o órgão passou a ser vinculado administrativamente ao Banco Central, houve ampliação significativa de suas atribuições. Atualmente, o Coaf processa mais de 7,5 milhões de comunicações financeiras por ano, volume considerado incompatível com a estrutura atual de pessoal.

Ampliação de cargos e gargalos internos

Com a reestruturação, o número de cargos comissionados deve subir de 75 para 141. Dos novos postos, 48 serão destinados à sede do órgão e 18 às subunidades regionais.

Na exposição de motivos, Galípolo reproduz apontamentos técnicos do próprio Coaf sobre a limitação do quadro de servidores efetivos e a alta rotatividade de funcionários cedidos de outros órgãos. Segundo o diagnóstico, essa instabilidade compromete a formação de equipes especializadas e reduz a eficiência das análises de inteligência financeira.

O presidente do BC afirma ainda que a defasagem estrutural prejudica a celeridade das investigações e a efetividade das ações de supervisão, em um contexto de crescimento da criminalidade financeira organizada.

Eleições e regras fiscais

A criação de cargos em ano eleitoral (2026) não é vedada pela legislação eleitoral. Contudo, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impede aumento de despesas nos 180 dias finais do mandato. Ainda assim, a legislação prevê exceções para cargos em comissão e funções de confiança, como os previstos na proposta do Coaf.

Contexto: ataques cibernéticos e crime organizado

A reestruturação ocorre após o Banco Central endurecer regras regulatórias em 2025, diante do aumento de ataques hackers e da identificação de infiltração do crime organizado em setores da economia formal, como combustíveis e o sistema financeiro.

Esses episódios se intensificaram após megaoperações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), que revelaram o uso de empresas regulares para lavagem de dinheiro.

O Coaf também está no centro de um inquérito sigiloso aberto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar possível quebra de sigilo envolvendo integrantes da Corte e familiares.

Unidades regionais e foco estratégico

O plano prevê a criação de seis subunidades de inteligência financeira, com o objetivo de ampliar a presença regional do Coaf e acelerar a resposta a crimes locais. As cidades sugeridas são:

  • Campo Grande (MS) e Foz do Iguaçu (PR), por serem rotas estratégicas de crimes transfronteiriços;

  • Recife (PE), devido à atuação de facções criminosas;

  • São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), pelo alto volume de comunicações financeiras;

  • Belém (PA), por sua relevância regional.

Cada subunidade contará com um coordenador-geral, dois coordenadores e oito servidores especializados, atuando em análise financeira, inteligência estratégica, fiscalização e cooperação com autoridades estaduais e federais.

No caso do Rio de Janeiro, a instalação atende a determinação judicial de Alexandre de Moraes no âmbito da ADPF das Favelas, que impõe restrições a operações policiais em comunidades.

Custos e investimentos

O investimento inicial para instalação física, tecnológica e aquisição de equipamentos das subunidades em 2026 é estimado em R$ 2,49 milhões. Já o custo anual de manutenção, incluindo remuneração dos cargos comissionados e despesas operacionais, deve alcançar R$ 30,8 milhões.

Inteligência financeira e uso de IA

Além do reforço de pessoal, o plano inclui a modernização dos sistemas de análise, com uso de inteligência artificial para elaboração de relatórios de inteligência financeira.

À frente do Coaf desde meados de 2025, Ricardo Saadi, ex-diretor da Polícia Federal, assumiu o comando do órgão após receber do Banco Central a promessa de novos investimentos e fortalecimento institucional.

Para Galípolo, a reestruturação “reforça o papel do Coaf como autoridade central do sistema nacional de inteligência financeira”, garantindo autonomia, estabilidade e capacidade técnica, em linha com recomendações internacionais do GAFI. Segundo ele, o resultado esperado é o endurecimento do combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro no país.


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